Política

EUA passam a classificar as facções brasileiras CV e PCC como grupos terroristas

Samuel Corum/POOL/EPA/Shutterstock
Samuel Corum/POOL/EPA/Shutterstock
A decisão do governo norte-americano de incluir as facções na lista de terrorismo internacional passa a valer em junho.

O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou oficialmente, por meio de um comunicado emitido pelo Departamento de Estado na noite desta quinta-feira (28), que passará a classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations, FTO, na sigla em inglês). A medida terá validade jurídica a partir do dia 5 de junho de 2026.

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A decisão norte-americana foi fundamentada na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e chancelada por uma ordem executiva do presidente Donald Trump. No documento divulgado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, justificou a classificação apontando o alto nível de violência das duas organizações criminosas, o comando sobre milhares de membros armados, os ataques brutais desferidos contra policiais no Brasil e a expansão de suas redes de influência ilícita no continente americano.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil vinha atuando nos bastidores diplomáticos nos últimos meses para tentar frear a decisão de Washington. A diplomacia brasileira avaliava internamente que a rotulação abre precedentes complexos na soberania do país, podendo justificar pressões por intervenções estrangeiras ou gerar sanções internacionais aos setores econômicos e financeiros nacionais.

Divergências sobre o impacto na segurança e soberania

A nova classificação divide a opinião de especialistas e autoridades do setor. De um lado, analistas em segurança internacional alertam que a medida representa um risco à soberania brasileira e pode comprometer acordos de cooperação investigativa. O argumento é que a mudança altera o nível de sigilo de relatórios compartilhados, concentrando dados em órgãos militares e na Agência Central de Inteligência (CIA), o que poderia engessar investigações conjuntas entre as polícias.

Por outro lado, o governo americano argumenta que a medida é indispensável para asfixiar as facções globalmente. De acordo com os defensores, a classificação facilita o bloqueio internacional de bens e acelera a restrição ao uso de dólares. Esse mecanismo promete cortar o dinheiro do crime mais rápido do que a Justiça comum, enfraquecendo o poder de compra de armas dos grupos.

A mudança de postura de Washington faz parte de uma reorientação da política externa promovida pelo governo de Donald Trump na América Latina, que intensificou o combate ao chamado “narcoterrorismo”. No início de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Casa Branca para debater como os dois países podem bloquear os recursos financeiros do crime organizado, mas sem tratar diretamente sobre a rotulação terrorista aplicada agora a essas facções.