A insatisfação da Guarda Civil Municipal (GCM) de Guarulhos com o governo do prefeito Lucas Sanches (PL) ganhou um novo capítulo. Após iniciarem uma série de manifestações por valorização profissional e melhores condições para a categoria, guardas denunciam que passaram a sofrer retaliações administrativas, o que levou à convocação de um novo protesto marcado para o próximo dia 1º de julho.
Segundo representantes da categoria, o movimento reivindica reajuste salarial, cumprimento de avanços de carreira e maior valorização dos agentes, que alegam terem recebido apenas o reajuste linear concedido ao funcionalismo municipal.
De acordo com integrantes da corporação, o estopim para o agravamento da crise foi uma declaração atribuída ao secretário municipal de Segurança, coronel Gilson Hélio Jesus dos Santos, durante um evento com os guardas. Segundo os relatos, o secretário teria afirmado que os agentes deveriam “trabalhar por vocação, e não pelo salário“. A frase provocou forte reação entre os GCMs, que consideraram a fala desrespeitosa diante das reivindicações da categoria.
Os manifestantes também criticam o fato de o secretário, conforme alegam, acumular os proventos de coronel da reserva da PM com a remuneração do cargo comissionado na Prefeitura.
Categoria denuncia quebra de acordo
Outra reclamação apresentada pelos guardas é a suposta quebra de um compromisso firmado pela administração municipal de que não haveria punições aos participantes das manifestações. Segundo integrantes da Comissão Permanente de Negociação (CPN), os primeiros atingidos teriam sido três GCMs, apontados como líderes das reivindicações junto ao governo.
De acordo com os relatos, os três receberam mudanças repentinas de jornada e foram transferidos para bases de trabalho mais distantes das que atuavam anteriormente. Ainda segundo a categoria, a comunicação ocorreu por telefone, apenas informando que os documentos oficiais já estavam disponíveis nas novas unidades.
Novas transferências ampliam tensão
As denúncias não se limitaram às lideranças do movimento. Informações recebidas por representantes da categoria apontam que aproximadamente 50 guardas municipais também teriam sido transferidos recentemente, medida interpretada pelos agentes como uma ampliação das retaliações contra os participantes dos protestos.
Os guardas afirmam que as mudanças acabaram produzindo efeito contrário ao esperado, fortalecendo a mobilização da categoria. “O coronel não vai nos calar e exigimos sua saída da Secretaria de Segurança”, afirmam representantes do movimento.
Novo ato está marcado
Em resposta às transferências, a categoria confirmou uma nova manifestação para o dia 1º de julho, quando pretende ampliar a mobilização e pressionar o governo municipal pela abertura de diálogo.
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos GCMs estão:
- valorização salarial;
- cumprimento dos avanços funcionais da carreira;
- fim das supostas retaliações contra manifestantes;
- revisão das transferências consideradas punitivas;
- substituição do atual secretário municipal de Segurança.
Governo Lucas Sanches
O GWEB encaminhou questionamentos para a Prefeitura. Mas até a publicação desta matéria, não havia se manifestado sobre as denúncias de perseguição administrativa, sobre as transferências citadas pelos guardas ou sobre a declaração atribuída ao secretário municipal de Segurança.
O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal e da Secretaria de Segurança, e a reportagem será atualizada caso haja posicionamento oficial.

