Polícia Política

Operação contra o PCC prende vereador do PT acusado de lavagem de dinheiro no transporte público

Senival Moura (PT) é apontado como figura central em esquema de lavagem bilionário em empresa de ônibus na Zona Leste.

Uma grande operação realizada nesta quinta-feira (25) resultou na prisão do vereador Senival Moura (PT), de São Paulo, acusado de fazer parte de um esquema de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, batizada de Operação Última Parada, foi conduzida pelo Ministério Público (Gaeco) e pela Polícia Civil (Deic) para combater a invasão do crime organizado no transporte público por meio da empresa de ônibus Transunião.

Inscreva-se no Canal do GWeb no WhatsApp e receba as principais atualizações do dia a dia em Guarulhos de um jeito rápido e fácil

Segundo as investigações, embora o nome de Senival não estivesse no papel como dono da Transunião, era ele quem controlava os bastidores e cuidava de toda a parte financeira da empresa. Planilhas apreendidas pela polícia mostram que o vereador era o verdadeiro dono de pelo menos 13 ônibus que estavam registrados no nome de outras pessoas. A empresa, que cuida de 57 linhas na Zona Leste e recebeu R$ 182 milhões da Prefeitura só nos primeiros cinco meses de 2026, movimentou cerca de R$ 1 bilhão de forma suspeita. A polícia descobriu que o vereador movimentou milhões de reais acima do que declarou e usava parentes e assessores como “laranjas” para esconder o seu patrimônio.

Toda essa investigação começou em março de 2020, depois que Adauto Soares Jorge, que era o diretor financeiro da empresa e funcionava como o “testa de ferro” de Senival, foi assassinado a tiros. O Ministério Público afirma que Adauto foi morto pelo “tribunal do crime” do PCC porque a facção descobriu que ele estava desviando dinheiro que deveria ir para os criminosos para pagar a campanha de reeleição do vereador. De acordo com as investigações, o próprio vereador Senival também chegou a ser condenado à morte pelo PCC, mas conseguiu um “perdão” dos criminosos em troca de usar sua força política e prometer devolver o dinheiro roubado, aceitando como condição, a morte do seu próprio aliado.

Mensagens encontradas nos celulares dos envolvidos mostraram que pagamentos altos em dinheiro vivo, como repasses semanais de R$ 70 mil para “acertar os caras” do crime, precisavam sempre da autorização de Senival. Nas conversas, ele era chamado pelos apelidos de “Velhinho”, “Véio” ou “Presidente”. Por causa das investigações, a Justiça tirou toda a atual diretoria do comando da Transunião e bloqueou R$ 194 milhões em bens dos suspeitos, o que inclui os ônibus, imóveis de luxo e barcos. A SPTrans assumiu o controle das linhas de forma temporária para que a população da Zona Leste não fique sem transporte.