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Equipes de resgate, cães farejadores e médicos saem de Guarulhos para ajudar vítimas de terremoto na Venezuela

Bombeiros de SP enviam equipe de resgate, cães farejadores e médicos para ajudar vítimas de terremoto na Venezuela (Foto-Reprodução)
Bombeiros de SP enviam equipe de resgate, cães farejadores e médicos para ajudar vítimas de terremoto na Venezuela (Foto-Reprodução)
Equipe do Corpo de Bombeiros de São Paulo embarcou da Base Aérea de Guarulhos para a Venezuela com cães farejadores, médicos militares e especialistas em resgate

Enquanto a Venezuela enfrenta as consequências de um dos maiores desastres naturais de sua história recente, uma equipe especializada do Corpo de Bombeiros de São Paulo embarcou para ajudar nas operações de busca e salvamento nas áreas devastadas pelo terremoto. A missão leva equipamentos de resgate em estruturas colapsadas, recursos médicos, mantimentos, abrigo para as equipes e a experiência adquirida em grandes tragédias nacionais e internacionais.

A força-tarefa paulista é formada por 11 bombeiros militares, dois médicos militares, um integrante da Defesa Civil Estadual e dois cães de busca. O grupo integra a missão brasileira composta por 36 profissionais dos estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, que prestarão apoio às equipes venezuelanas nas operações de resgate.

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Equipe leva estrutura própria para atuar

Segundo a major Daniela Santos Oliveira, responsável pela coordenação da equipe paulista, toda a operação foi planejada para funcionar de forma totalmente independente desde a chegada ao país.

“Nós estamos indo como uma equipe de busca e salvamento urbano totalmente autossuficiente. Tudo o que estamos levando é para que não precisemos de absolutamente nada no local. Quando chegamos para ajudar alguém, não podemos dar trabalho para quem já está enfrentando uma tragédia. A autossuficiência é a palavra-chave dessa missão”, afirmou.

Além da estrutura para instalação de uma base operacional, os bombeiros transportam ferramentas específicas para acessar áreas destruídas e localizar possíveis sobreviventes sob os escombros.

Experiência em grandes tragédias fortalece missão

A major Daniela já participou de operações de grande porte, como o terremoto na Turquia, as enchentes no Rio Grande do Sul e o rompimento da barragem de Brumadinho. Segundo ela, essas experiências reforçaram a importância da preparação técnica e emocional.

“As missões anteriores nos ensinaram que precisamos estar muito preparados psicologicamente, além de manter toda a estrutura de autossuficiência. Foi essa experiência que nos trouxe novamente aqui, com capacidade técnica para atuar em uma situação tão complexa”, destacou.

A capitão médica Fabiana Maria Ajjar, integrante do Comando de Aviação da Polícia Militar, também participou de missões humanitárias no Brasil e no exterior. Ela explicou que o planejamento médico considera os desafios específicos da região.

“Cada cenário exige uma estratégia diferente. Na Turquia enfrentamos frio intenso e doenças respiratórias. Agora estamos indo para uma região quente, com outros riscos epidemiológicos. Estamos levando materiais e protocolos adequados para proteger toda a equipe e garantir o atendimento necessário”, explicou.

Para a médica, a mobilização representa um gesto de solidariedade internacional.

“É uma força nacional em prol de outro país. Nós gostaríamos de receber ajuda da mesma forma se estivéssemos nessa situação. É oferecer ao próximo aquilo que gostaríamos de receber”, afirmou.

Cães farejadores ampliam chances de encontrar sobreviventes

Entre os integrantes da missão está a cadela Malina, da raça pastor-belga malinois, especialista em buscas e responsável por localizar vítimas em ocorrências de grande complexidade. Também participa da operação a jovem cadela Kiara, que ganhará experiência em missões reais.

Condutor de Malina, o sargento Laercio Leres participou da missão brasileira enviada à Turquia em 2023 e destacou a importância dos cães nas buscas.

“As equipes de resgate não atuam sem os cães de busca. Eles conseguem eliminar áreas onde não há vítimas, delimitar regiões prioritárias e até indicar exatamente onde uma pessoa está. Em terremotos, existe uma possibilidade maior de encontrar sobreviventes porque se formam espaços onde as pessoas podem permanecer vivas por alguns dias”, explicou.

Malina já demonstrou sua eficiência em diversas operações. Em fevereiro deste ano, encontrou com vida uma pessoa desaparecida em uma área de mata em Ribeirão Pires após outras equipes realizarem buscas sem sucesso.

“É o ápice da nossa profissão. Poder ajudar pessoas em uma situação como essa é algo muito significativo. Além disso, essas missões fortalecem nossa experiência para responder a grandes tragédias onde quer que elas aconteçam”, afirmou o sargento.

Missão conta com profissionais certificados

A porta-voz do Corpo de Bombeiros paulista, capitão Karoline Burunsizian, ressaltou que a equipe embarca preparada para atuar imediatamente, sem depender da estrutura local.

“A equipe é totalmente autossuficiente. Não vamos depender de nenhum recurso daquele país e nem ser mais um problema para eles resolverem em meio a tantos desafios. Estamos levando profissionais treinados, certificados internacionalmente e equipamentos especializados para operações de busca e salvamento em estruturas colapsadas”, concluiu.