A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão ligado ao Ministério da Justiça, abriu uma investigação preliminar contra a CazéTV para apurar as propagandas de empresas de apostas online (as chamadas bets) feitas durante as transmissões dos jogos da Copa do Mundo. Essa fase serve para avaliar a situação antes da abertura de um processo que pode gerar punições.
A investigação começou a partir de ações promocionais que foram passadas ao vivo no canal representado por Casimiro Miguel, que detém os direitos de transmissão de todas as 104 partidas do Mundial no YouTube. O despacho oficial cita três momentos específicos em que os profissionais do canal incentivaram o público a apostar:
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Inglaterra x Gana: Durante a parada técnica para hidratação, o narrador incentivou o público a “colocar a paixão em jogo” e usar um QR Code na tela para aproveitar uma promoção.
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Argentina x Áustria: Os comentaristas destacaram cotações aumentadas e promessas de “segunda chance” na plataforma, o que, para o governo, estimula o torcedor a apostar imediatamente.
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Uruguai x Cabo Verde: A propaganda de outra marca associou a paixão pelo futebol ao hábito de fazer apostas.
De acordo com as leis brasileiras que regulamentam o setor e com o Código de Defesa do Consumidor, é proibido fazer publicidade que sugira ganho de dinheiro fácil, que incentive o jogo excessivo, que faça chamadas para apostar na mesma hora ou que dê a entender que o conhecimento sobre futebol garante o resultado do jogo.
A Senacon também quer analisar se o fato de narradores e comentaristas participarem das propagandas confunde o telespectador, dificultando a separação entre o que é opinião profissional e o que é anúncio pago. Até o momento, a CazéTV não se manifestou sobre a investigação.
Os pontos que o governo está analisando
A secretaria está avaliando se o canal cometeu três tipos de irregularidades:
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Publicidade abusiva: Usar o sentimento de torcida e a cultura do futebol para induzir o consumidor a apostar.
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Prática abusiva: Oferecer o serviço de apostas fora das regras oficiais do país.
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Falta de clareza: Misturar as propagandas com as falas dos narradores, deixando dúvidas sobre o que era anúncio.

