As hepatites virais representam um desafio para a saúde pública por apresentarem comportamento predominantemente silencioso. Sem provocar sintomas evidentes durante anos, a infecção costuma evoluir sem detecção, fazendo com que o diagnóstico ocorra apenas em estágios avançados. O alerta é de especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo, que destacam a importância do diagnóstico precoce para prevenir complicações graves no fígado.
No Brasil, os tipos mais frequentes são causados pelos vírus A, B e C, existindo ainda as variantes D e E. De acordo com a hepatologista Silvia Soares, do Iamspe, cerca de 70% dos casos de hepatite viral aguda são totalmente assintomáticos. A manifestação de sinais clínicos geralmente indica que o comprometimento do órgão já está em estágio adiantado. Os principais sintomas incluem fadiga, perda de apetite, náuseas, desconforto no lado direito do abdômen e icterícia (amarelamento da pele e dos olhos).
Nas formas crônicas da doença, especialmente associadas aos vírus B e C, há risco de evolução para fibrose hepática, cirrose e carcinoma hepatocelular, que é o tipo mais comum de câncer de fígado. Já o vírus D afeta apenas portadores do vírus B, enquanto os tipos A e E costumam ser autolimitados, com recuperação total após tratamento sintomático.
Testagem de rotina e formas de prevenção
A investigação diagnóstica envolve exames laboratoriais específicos e avaliação dos fatores de risco. O Iamspe recomenda que todos os adultos realizem a testagem nas consultas de rotina. Para os grupos de maior risco. como usuários de drogas injetáveis, pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou que praticam sexo sem preservativo, portadores de HIV, gestantes, transplantados e indivíduos com doenças hepáticas prévias, a testagem deve ser anual.
A imunização contra os vírus A e B está disponível por meio de vacinas. A prevenção inclui ainda hábitos contínuos de higiene, como lavagem das mãos, consumo de água tratada, uso de preservativos, não compartilhamento de objetos perfurocortantes (como agulhas e seringas) e exigência de materiais esterilizados em procedimentos estéticos ou médicos.


