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Nova usina de SP transforma resíduos orgânicos em energia e biometano

Foto: Divulgação/Agência SP
Foto: Divulgação/Agência SP
O projeto da usina recebeu investimento de R$ 10 milhões e tem capacidade para processar até 25 toneladas de materiais descartados por dia.

O Estado de São Paulo inaugurou a Usina de Bioenergia e Biofertilizantes do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP). A nova planta laboratorial opera em escala industrial e comercial, sendo capaz de transformar resíduos sólidos orgânicos vindos da cadeia alimentar em energia elétrica, biometano e biofertilizantes.

O projeto foi desenvolvido pela universidade com o apoio institucional da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás). Atualmente, a unidade tem capacidade para processar 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia, possuindo licença ambiental para expandir a operação para até 43,5 toneladas diárias.

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O processo de reaproveitamento ocorre por meio da biodigestão. Cada tonelada de resíduo orgânico colocada no sistema gera entre 120 Nm³ e 180 Nm³ de biogás. A partir desse volume, a usina consegue produzir de 166 a 200 kWh de eletricidade ou ser refinada para gerar entre 90 Nm³ e 117 Nm³ de biometano.

Toda a energia elétrica gerada atualmente já abastece a própria rede da USP e o Sistema Interligado Nacional (SIN). Com a conclusão da sua unidade de refino, a usina passará a fornecer biometano e dióxido de carbono CO2, direcionando o combustível renovável para abastecer frotas de veículos movidos a Gás Natural Veicular (GNV) e para a injeção direta na rede de distribuição de gás canalizado.

Fertilizantes e modelo de negócios

Além do braço energético, cerca de 80% do material orgânico processado é transformado em digestato, um biofertilizante de alta qualidade. O insumo está sendo testado em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) em plantações de cana-de-açúcar, hortas e sistemas de hidroponia.

Por ser estruturada em módulos, a tecnologia pode ser adaptada e replicada para atender as necessidades de municípios, centrais de abastecimento (como as Ceasas), indústrias de alimentos e grandes redes de varejo, reduzindo custos logísticos com aterros sanitários.

Financiamento e cenário estadual

A implantação da usina envolveu um investimento de R$ 10 milhões, com verbas do orçamento da USP e de pesquisas financiadas pela Fapesp, CNPq e programas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Aneel e da Enel, além de R$ 3,5 milhões em maquinários fornecidos pela empresa TPI.

Com essa inauguração, o estado consolida sua liderança no setor, concentrando 9 das 19 plantas de biometano em operação no Brasil. A expectativa é que o território paulista atinja uma capacidade instalada de 1 milhão de metros cúbicos diários do combustível, volume equivalente ao consumo de todas as 2,8 milhões de residências atendidas por gás encanado no estado.