O prefeito Lucas Sanches (PL) levou para seu palanque na última segunda-feira a empresária Francislene de Almeida Correa, candidata a vice na chapa de esquerda liderada por Elói Pietá (ex-PT, no Solidariedade), para anunciar uma obra que pretende fazer às margens do Baquirivu. Não foi só isso.
Rasgaram elogios
Nos discursos, esquecendo-se das farpas (para não ser grosseiro) que trocaram ao longo da disputa eleitoral de 2024, ambos rasgaram elogios um ao outro. De quebra, o prefeito deu de presente o nome da futura via ao clã Assis de Almeida. Ela terá o nome do patrono, Francisco, conhecido da cidade pelo tanto de propriedades que acumulou em vida.
O terceiro elemento
Quem vive o mundo político, até pode entender que Lucas e Francislene fizeram as pazes e agora, com interesses comuns, rumem para o mesmo lado. Porém, a aproximação da dupla inclui um terceiro elemento: o marido da empresária, o ex-deputado federal Eli Correa Filho, que após colecionar uma série de insucessos nas urnas, tenta voltar à Câmara Federal agora pelo União Brasil.
Dobrada sem prancha
E é aí que reside o maior problema: ao abraçar Francislene, Lucas traz indiretamente a seu palanque o marido dela, que – como sempre ocorre em período eleitoral – volta a Guarulhos para dobrar com o braço direito do prefeito, o Giovani Sanches que concorre para uma vaga na Assembleia Legislativa. Obviamente, desta forma, Lucas sinaliza que Thiago Surfista, o nome do PL à Câmara, não é seu predileto. Aliás, está bem longe disso.
A história recente
Quando deixou seu grupo político para ser vice na chapa do então candidato Lucas Sanches (PL), o mutável Thiago Surfista – que já foi do PCdoB, DEM, PSD e Novo, antes de migrar para o partido do seu novo chefe – fez um acordo: romperia a palavra que deu ao governo passado do qual fazia parte como secretário do Meio Ambiente e entraria de cabeça no novo projeto. Mas, em contrapartida, seria o candidato da máquina em 2026 para deputado federal. Deu tudo certo. Venceu a eleição, mudou de novo de partido indo para o PL e sentou-se atrás do “deus pai”.
A ver navios
Porém, agora que a campanha está prestes a ter início, quando Thiago mais precisa da máquina, vê que o governo tem outros planos, que – pelo que tudo indica – não o incluem em Brasília. Desta forma, deve permanecer mais dois anos como vice, com a possibilidade de desaparecer politicamente, já que o espaço que tinha como vereador foi ocupado por seu apadrinhado, o Caiçara.
O mestre do xadrez
O responsável por ter engessado Thiago Surfista foi o secretário da Casa Civil, Carlos Santiago, o todo poderoso do Paço, que dá as cartas no jogo político. Ao filiar o vice ao PL, tirou dele qualquer possibilidade de buscar outro espaço político, ficando a mercê das decisões do comando central. Ou seja, não tem mais para onde correr.
Exagerou na dose?
O governo, que tem vários focos de comando, além de Lucas Sanches, pode também se dar mal na Assembleia Legislativa. Apesar de ter conseguido liquidar com as pretensões de diversos vereadores da base que sonhavam tentar um lugar como deputado estadual, ao centrar esforços no nome de Giovani, a máquina pode ter exagerado na dose ao trazer para Guarulhos o Delegado Romani, aquele que fez fama com o “pé na porta” e muitas aparições midiáticas nos últimos meses. Apesar de não ter vínculos com a cidade, aparece bem cotado para ganhar votos para a Assembleia.
Delegado se fortalece
A intenção inicial ao trazer o novo policial também parece não ter dado certo e as urnas poderão comprovar ou não esta tese. A ideia era liquidar com o vereador mais votado de 2024, o Delegado Mesquita, eleito pelo Republicanos. Apesar de contar com a ajuda do outro deputado, o Xerife do Consumidor, que jogou para ele não ter legenda, fazendo com que migrasse para o PP e assim caminha para a perda do mandato na Câmara Municipal, o policial civil de Guarulhos, segundo pesquisas que circulam por aí, tem grandes chances de obter êxito.
Vai sobrar
Só que hoje, todos – Delegado Mesquita, Delegado Romani, Xerife do Consumidor, além de outros vereadores como Geleia e Pastor Anistaldo que mantiveram seus nomes para a Assembleia Legislativa, correm na mesma raia de Giovani, o queridinho de Lucas, como nomes de centro-direita. Nem todos vão se eleger. Provavelmente dois ou três deles (com muita sorte, talvez quatro). Sobrará para alguns deles chorar o leite derramado. Desta forma, é grande a chance de que os tiros disparados pela Casa Branca saiam pela culatra literalmente.


