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AVALIAÇÃO – Peugeot 208 GT Hybrid 2026, um dos compactos mais desejados do Brasil

Sistema híbrido leve traz mais eficiência e garante isenção do rodízio na capital paulista, mas o grande destaque continua sendo o conjunto formado por design, acabamento e tecnologia embarcada.
Ernesto Zanon – @ernesto_zanon

Há carros que conquistam pelo desempenho. Outros pelo custo-benefício. E há aqueles que fazem o motorista olhar para trás depois de estacionar. O Peugeot 208 GT sempre pertenceu a esse último grupo. Na linha 2026, o hatch francês ganha a tecnologia Hybrid, mas a essência continua exatamente a mesma: um dos carros mais bonitos do mercado brasileiro.

Durante alguns dias de convivência, ficou claro que a eletrificação não mudou a personalidade do modelo. Ela apenas acrescentou um ingrediente importante para um mercado que caminha, cada vez mais, nessa direção.

Quem espera encontrar uma diferença expressiva no consumo de combustível talvez termine o teste um pouco frustrado. O sistema híbrido leve de 12 volts trabalha de forma discreta. Ele auxilia o motor nas arrancadas, melhora o funcionamento do Start&Stop e torna a condução um pouco mais suave, principalmente no trânsito urbano.

Na prática, o ganho de consumo existe, mas é pequeno. A grande vantagem está em outro aspecto. O 208 passa a integrar o grupo dos modelos eletrificados e, com isso, pode garantir isenção do rodízio municipal em São Paulo, um benefício que pesa bastante para quem circula diariamente pela capital.

Mais do que reduzir alguns quilômetros no consumo, o sistema híbrido faz o modelo permanecer atualizado em um mercado onde a eletrificação deixou de ser tendência para se tornar realidade.

Design imbatível

Poucos compactos envelheceram tão bem quanto o Peugeot 208. Mesmo depois de alguns anos da chegada da atual geração, o hatch continua chamando atenção nas ruas. A dianteira agressiva, os faróis Full LED, as tradicionais “garras do leão (símbolo da marca)” e a traseira com assinatura luminosa fazem o carro parecer recém-lançado.

Na versão GT, tudo fica ainda mais interessante. As rodas exclusivas de 17 polegadas, o teto panorâmico, os detalhes em preto brilhante e o acabamento esportivo deixam claro que esta não é apenas mais uma versão topo de linha. É um carro que transmite sofisticação antes mesmo de o motorista abrir a porta.

Se por fora o 208 impressiona, por dentro ele praticamente não encontra rivais diretos. Enquanto boa parte dos concorrentes ainda aposta em soluções simples, o Peugeot entrega um ambiente que lembra carros de categorias superiores.

O painel elevado do i-Cockpit, o volante compacto, a central multimídia de 10,3 polegadas, o painel digital em 3D e os materiais utilizados fazem do interior um dos mais agradáveis entre os compactos vendidos no Brasil. Há um cuidado perceptível nos detalhes. Os encaixes são precisos, os revestimentos agradam ao toque e a sensação é de estar em um automóvel muito mais caro do que realmente é.

O GT não economiza na lista de equipamentos. Há carregador de celular por indução, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, ar-condicionado digital, chave presencial, câmera de ré com visão de 180 graus, seis airbags e um pacote completo de assistentes de condução. É exatamente nesse ponto que o Peugeot se distancia de muitos rivais. Não entrega apenas tecnologia para impressionar na ficha técnica. Boa parte desses recursos faz diferença no uso diário.

O conhecido motor 1.0 Turbo de 130 cavalos continua sendo um dos melhores conjuntos da categoria. O casamento com o câmbio CVT privilegia o conforto sem deixar o carro lento. Nas retomadas, o desempenho agrada. Na cidade, a direção leve e a suspensão bem calibrada fazem do 208 um carro extremamente agradável de conduzir. O sistema híbrido atua quase sem que o motorista perceba.

Vale o preço?

Com preço na casa dos R$ 140 mil, o Peugeot 208 GT Hybrid entra em uma faixa onde a concorrência é forte. Ali aparecem versões completas de Volkswagen Polo, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix, além de modelos elétricos de entrada, como o BYD Dolphin Mini, e SUVs compactos.

Mesmo assim, poucos conseguem reunir o mesmo conjunto de qualidades. O Peugeot não tem o maior porta-malas nem o melhor espaço traseiro da categoria. Mas entrega algo que seus concorrentes ainda perseguem: personalidade. Não tenta parecer premium. Ele realmente transmite essa sensação.