Por Ernesto Zanon – @ernesto_zanon
O Jeep Renegade já não é mais aquele SUV praticamente sozinho no mercado. A concorrência cresceu, os equipamentos evoluíram, novas tecnologias chegaram e, principalmente, a eletrificação mudou a conversa dentro do segmento.

Por isso, avaliar hoje uma versão do Renegade não significa apenas responder se o carro é bom. É preciso entender qual versão faz mais sentido dentro da própria família e como ela se comporta diante dos concorrentes. É justamente aí que entra o Renegade Longitude MHEV.
Depois de experimentar o Sahara, a impressão que fica ao volante do Longitude é bastante clara: ele pode ser uma das configurações mais equilibradas da família Renegade.
Não tem o pacote mais completo do Sahara, nem pretende ser a porta de entrada da linha. A proposta é ficar no meio do caminho — e, neste caso, estar no meio pode ser uma virtude. Com preço na faixa de R$ 158,7 mil, o Longitude fica cerca de R$ 17 mil abaixo do Sahara.
O Longitude começa a fazer sentido justamente quando deixamos de olhar apenas para o preço de entrada. A versão de acesso cumpre o papel de colocar o consumidor dentro da família Renegade, mas o Longitude acrescenta equipamentos que tornam a experiência a bordo mais completa.

Tem central multimídia de 10,1 polegadas, painel digital, carregador de celular por indução ventilado, bancos e volante revestidos em couro, rodas de 18 polegadas, além de recursos de segurança e assistência ao motorista. E há um equipamento que considero particularmente interessante: o monitoramento de ponto cego. Em um SUV que já está na faixa dos R$ 160 mil, recursos como esse deixam de ser apenas um diferencial e passam a fazer parte da expectativa de quem está comprando.

O mais importante é que o Longitude não transmite aquela sensação de versão intermediária que precisa de opcionais para ficar interessante. Ele já vem com um pacote bastante completo.
O Sahara acrescenta equipamentos e detalhes de conforto e acabamento que certamente fazem diferença para quem procura uma configuração mais sofisticada. Mas, depois de dirigir as duas versões, fica a impressão de que o Longitude entrega boa parte do que realmente importa na utilização diária.

O Sahara faz mais sentido para quem quer o máximo de equipamentos dentro das versões 4×2 e está disposto a pagar por isso. Não há nada de errado nessa escolha. Mas existe uma diferença entre querer determinados equipamentos e precisar deles.
Se teto solar, banco elétrico e outros itens exclusivos da versão superior não estão entre as prioridades do comprador, fica difícil justificar automaticamente os quase R$ 17 mil adicionais. E essa é justamente a força do Longitude. Ele não parece um carro incompleto por estar abaixo do Sahara.
Híbrido leve

A tecnologia híbrida leve de 48 volts é outro elemento importante do Longitude.Mas é preciso entender o que significa MHEV. Não estamos falando de um híbrido convencional capaz de rodar longos períodos apenas com eletricidade. O sistema trabalha como um auxiliar elétrico do motor a combustão, contribuindo em determinadas fases do funcionamento e buscando melhorar a eficiência do conjunto.
No Longitude, ele trabalha em conjunto com o conhecido 1.3 turbo flex, de até 176 cv e 27,5 kgfm, associado ao câmbio automático de seis marchas. E esse continua sendo um dos grandes argumentos do Renegade. O motor tem força de sobra para o tamanho do carro e entrega boas acelerações e retomadas, especialmente para quem utiliza o SUV também em estrada.

A diferença é que agora existe uma pequena ajuda elétrica trabalhando nos bastidores. Por isso, minha leitura é simples: o MHEV é uma vantagem do Longitude, mas não deveria ser o único motivo para comprar o carro. O grande mérito está no conjunto.
O problema — ou o desafio — é que o Renegade Longitude está justamente em uma das faixas mais disputadas do mercado. Por aproximadamente R$ 160 mil, o consumidor pode olhar para Volkswagen T-Cross, Chevrolet Tracker, Hyundai Creta e Nissan Kicks, entre outras opções. E cada um desses modelos tem argumentos fortes.

Alguns oferecem mais espaço interno. Outros podem levar vantagem em consumo, porta-malas ou custo de propriedade. O Renegade, por sua vez, tem uma característica que não aparece facilmente em uma ficha técnica: personalidade. Você olha para o carro e sabe que está diante de um Jeep.
A posição de dirigir elevada, a carroceria de linhas mais robustas, a altura em relação ao solo e a sensação de solidez fazem parte de uma proposta que continua diferenciada. E o 1.3 turbo coloca o Longitude em uma posição interessante diante de concorrentes que apostam em motores menores. Mas o Jeep também tem suas limitações. O porta-malas não é seu ponto forte e alguns concorrentes conseguem oferecer melhor aproveitamento interno.
Quem prioriza exclusivamente economia de combustível também pode encontrar alternativas mais eficientes, dependendo da versão e do tipo de utilização. Ou seja: o Renegade não ganha de todos em tudo. Ele precisa convencer pelo conjunto.


