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Enchentes e deslizamentos deixam mais de 160 mortos e centenas de desaparecidos no Nepal e no Tibete

Enchente catastrófica na fronteira deixa rastro de destruição em usinas, estradas e pontes; Itamaraty não relata brasileiros atingidos.

Uma forte enchente repentina e de níveis catastróficos acompanhada por deslizamentos de terra devastou a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete (região autônoma sob controle da China) nesta quarta-feira (26). Segundo balanço atualizado pelas autoridades locais, ao menos 157 mortes foram confirmadas no Nepal e 3 no lado tibetano, totalizando 160 vítimas fatais. O desastre é considerado a maior tragédia natural na região desde o terremoto de 2015.

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As autoridades de turismo nepalesas contabilizam quase 579 indivíduos desaparecidos. Entre os estrangeiros incomunicáveis estão 133 indianos, 54 norte-americanos, 33 britânicos, além de cidadãos da Malásia, África do Sul, Austrália e Holanda. Já no Tibete, até a última atualização oficial, 265 pessoas estão dadas como desaparecidas. O Itamaraty informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas ou desaparecidos.

Foto: REUTERS
Foto: REUTERS

Possível causa do desastre

As investigações iniciais apontam que o desastre teve origem na queda de um grande bloco de gelo e rochas de uma montanha no lado tibetano. O impacto gerou um represamento temporário no rio Lhende. Quando a barreira de detritos se rompeu, uma onda massiva carregada de lama e sedimentos desceu com força destrutiva em direção ao rio Trishuli, arrastando pontes, estradas e usinas hidrelétricas.

Análises do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) descartaram a ocorrência de um terremoto inicial, confirmando que os abalos sísmicos registrados no momento da tragédia foram provocados pelo próprio deslizamento de terra.

Operação de resgate e apoio internacional

As forças armadas do Nepal mobilizaram mais de 1,6 mil militares e helicópteros civis para socorrer sobreviventes ilhados nas cidades de Timure, Rasuwa e Nuwakot. Dezenas de policiais, militares e trabalhadores de obras de energia que atuavam na calha dos rios continuam desaparecidos.

O governo da China ordenou esforço total de buscas no Tibete, enquanto a Índia enviou 10 toneladas de ajuda humanitária e suprimentos de emergência. O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, decretou mobilização nacional e declarou que o país está “em choque e profundamente abalado” pela dimensão da destruição.