Por Ernesto Zanon – @ernesto_zanon

Agora, a GWM chega com uma proposta bastante agressiva. O Haval H9 quer entrar justamente nessa briga. E não está chegando apenas para participar. Nesta semana, estamos avaliando o SUV de sete lugares da marca chinesa e a primeira impressão é bastante clara: a GWM encontrou uma receita que pode, sim, incomodar o líder do segmento.

O principal argumento começa pelo preço. O H9 parte de aproximadamente R$ 329 mil, enquanto o Toyota SW4 começa na faixa dos R$ 417,6 mil e pode chegar perto dos R$ 476 mil na versão Diamond. Dependendo da configuração escolhida, estamos falando de uma diferença que pode se aproximar de R$ 150 mil.

É dinheiro suficiente para fazer muita gente parar e olhar com mais atenção para o H9. E a GWM sabe disso. O Haval H9 é um SUV grande de verdade. São quase cinco metros de comprimento, sete lugares, construção robusta, tração 4×4 e reduzida. Não é um crossover com aparência aventureira. É um veículo pensado para quem quer espaço, conforto e também capacidade para sair do asfalto.

E tem outro detalhe importante: motor diesel. Diferente do que muita gente imagina, a GWM não é apenas veículos eletrificados. O H9 utiliza um 2.4 turbodiesel, com 184 cv e impressionantes 48,9 kgf.m de torque, associado a um câmbio automático de nove velocidades.
É verdade que o SW4 tem um motor mais potente, com seus 204 cv no 2.8 turbodiesel. Mas, quando falamos desse tipo de veículo, potência não é tudo. O torque é fundamental para movimentar um SUV grande, carregado e, eventualmente, enfrentando uma subida ou um trecho de baixa aderência. E os quase 49 kgf.m do H9 fazem diferença.

Porém, é na lista de equipamentos que o H9 consegue abrir uma vantagem ainda maior. A GWM colocou muita tecnologia neste SUV. Há câmera com visão 360 graus, ar-condicionado digital de três zonas, bancos dianteiros elétricos com aquecimento e ventilação, carregador de celular por indução, central multimídia com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, teto solar panorâmico, sistema de som premium e até estribos elétricos. Aqueles que saem quando você abre a porta. Um charme.

Na segurança, o pacote também é bastante completo, com controle de cruzeiro adaptativo, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado, assistência para mudança de faixa e frenagem automática de emergência, entre outros recursos. Ou seja: o H9 não tenta convencer o consumidor apenas pelo preço. Ele quer mostrar que entrega muito conteúdo.
E isso é importante porque o comprador desse segmento não está procurando simplesmente um carro grande. Ele quer conforto, tecnologia, segurança e capacidade. Nesse ponto, o H9 joga pesado. Por dentro, a sensação também é de um veículo pensado para transportar a família.
Os sete lugares são de verdade e a terceira fileira, embora naturalmente não tenha o mesmo espaço da segunda, pode acomodar adultos em deslocamentos mais curtos. O acesso também é facilitado pela movimentação dos bancos da segunda fileira.

E aí temos outra característica interessante do H9: ele tenta equilibrar duas propostas que nem sempre convivem bem. De um lado, é um SUV familiar, confortável e recheado de equipamentos. De outro, mantém características de um veículo preparado para situações mais difíceis.

A tração 4×4, a reduzida e os sistemas eletrônicos de auxílio à condução fora de estrada fazem parte dessa receita. Claro que ninguém compra um SUV de R$ 329 mil pensando necessariamente em colocá-lo na lama todo fim de semana. Mas saber que ele tem essa capacidade faz parte da proposta. É o mesmo tipo de argumento que ajudou a construir a reputação do próprio SW4.
E é justamente aí que começa a ficar interessante comparar os dois. Porque o H9 tem praticamente tudo aquilo que o consumidor desse segmento procura, mas chega cobrando consideravelmente menos. Só que existe um obstáculo que não aparece na ficha técnica: a tradição.

A Toyota construiu durante décadas a reputação do SW4 no Brasil. O consumidor conhece o carro, conhece a marca, conhece a rede de assistência e sabe, pelo menos em tese, como funciona o mercado de peças e a revenda. A GWM ainda está construindo essa história. E esse será provavelmente o maior desafio do H9.
Porque convencer alguém a pagar mais de R$ 300 mil em um SUV não depende apenas de oferecer mais equipamentos. É preciso conquistar confiança. Por outro lado, é justamente a falta dessa tradição que permite à GWM chegar ao mercado com uma proposta tão agressiva.

Depois de uma semana ao volante, a pergunta que fica é justamente essa: será que essa conta que parece tão boa no papel também funciona na prática? Porque o SW4 continua tendo a força da tradição. Mas agora existe um concorrente que oferece uma combinação difícil de ignorar.

