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AVALIAÇÃO – ZR-V 2026, um Honda diferente que ainda procura seu lugar no Brasil

Há carros que a gente entende imediatamente onde se encaixam. Há outros que precisam de alguns quilômetros para serem compreendidos. O Honda ZR-V está claramente no segundo grupo.
Por Ernesto Zanon – @ernesto_zanon

 

Apesar de já estar por aqui desde o final de 2023, o carro ainda não emplacou. A Honda o apresenta como um SUV e o posiciona entre o HR-V e o CR-V. Mas, depois de conviver novamente com o modelo, minha impressão inicial permanece: o ZR-V é diferente dos outros “Vs” da marca.

Ele tem altura, porte e visual de SUV, mas sua essência está muito mais próxima de uma perua do Civic — afinal, utiliza a mesma plataforma do sedã — do que de um utilitário esportivo tradicional. E isso, ao contrário do que pode parecer, é uma qualidade.

A linha 2026 chega às concessionárias por R$ 214.500 e traz algumas evoluções pontuais, como rodas de liga leve de 18 polegadas, retrovisores externos com rebatimento elétrico e conectividade sem fio para Apple CarPlay e Android Auto.
Mas o principal ponto desta avaliação não está nas novidades em relação ao primeiro modelo apresentado aqui. Está em tentar entender por que um carro tão bem resolvido ainda não conseguiu encontrar no Brasil o mesmo caminho de sucesso do HR-V. E aqui está o primeiro problema do ZR-V: ele compete, de certa maneira, com o próprio irmão.

Quando o consumidor olha para a linha Honda, encontra no HR-V um SUV moderno, confortável, tecnológico e com bom espaço interno. E por menos dinheiro. Mas não muito menos se você considerar a versão mais cara do modelo “menor”.
Depois encontra o ZR-V, maior, mais sofisticado e com comportamento mais refinado, mas já passando dos R$ 200 mil. E, logo acima, existe o CR-V. É como se o ZR-V tivesse chegado a uma festa na qual os outros convidados já tinham seus lugares marcados. Ele ainda está procurando o seu.

Mas há algo que o diferencia

Se existe uma coisa que o ZR-V tem de sobra é personalidade. Não é daqueles carros que passam despercebidos porque existem dezenas iguais nas ruas. Também não é um modelo que tenta seguir uma receita pronta de SUV. E talvez seja exatamente por isso que eu tenha gostado mais dele nesta segunda avaliação.

O ZR-V não precisa ser o melhor em uma determinada característica. Ele aposta no conjunto. É um carro confortável, espaçoso, silencioso, bem equipado e muito agradável de dirigir. E tem uma vantagem que não aparece em uma ficha técnica: é pouco comum nas ruas. Para muita gente, isso também conta na hora de escolher um carro.

Mais Civic do que SUV

Quem já dirigiu o Civic vai perceber rapidamente algumas semelhanças. A plataforma é a mesma e a Honda aproveitou diversos componentes do sedã para construir o ZR-V. A posição de dirigir é elevada, como se espera de um SUV, mas o comportamento é muito mais próximo de um automóvel tradicional.

A direção é precisa. A suspensão filtra bem as irregularidades. O carro se mantém firme nas curvas. E, principalmente, transmite aquela sensação de estar muito bem assentado no chão. É uma característica que gosto bastante nos Honda. Não existe aquela impressão de que o carro está “boiando” sobre a suspensão. Ele responde exatamente como você espera. Depois de alguns quilômetros, a definição de SUV passa a ser menos importante.

O ZR-V tem 4,568 metros de comprimento e entre-eixos de 2,655 metros. Isso aparece dentro da cabine. O espaço para os passageiros é generoso, inclusive no banco traseiro, e o acabamento transmite uma sensação de qualidade que combina com a proposta do modelo. O interior é silencioso e bem montado. Os bancos dianteiros oferecem bom apoio e o motorista conta com ajustes elétricos. O painel tem desenho horizontal e utiliza a tradicional solução visual de colmeia para esconder as saídas de ar.

É elegante sem ser exagerado. E, como sempre costumo destacar nas avaliações do Carro Express, ergonomia também é tecnologia. No ZR-V, os comandos estão onde deveriam estar. Não é preciso entrar em vários menus da central para descobrir como alterar uma função básica. Há botões físicos, comandos no volante e uma disposição bastante intuitiva.

Tecnologia para todos

A linha 2026 resolveu uma pequena deficiência do modelo anterior. A central multimídia de 9 polegadas agora oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio. É uma daquelas mudanças que parecem pequenas no material de divulgação, mas que fazem diferença no dia a dia.

Há ainda painel TFT de 7 polegadas, carregador de celular por indução, quatro entradas USB-C e uma USB-A. O teto solar elétrico e o ar-condicionado digital de duas zonas reforçam a sensação de carro mais sofisticado. E o myHonda Connect permite acompanhar informações do veículo e realizar algumas funções remotamente pelo celular.

Nada disso transforma o ZR-V em um carro revolucionário. Mas mostra que ele está alinhado com aquilo que se espera de um modelo de mais de R$ 200 mil.

E quando chega a hora de acelerar?

Aqui está outro ponto interessante. O ZR-V usa um motor 2.0 aspirado, com 161 cv e 19,1 kgf.m de torque, associado a um câmbio CVT. Hoje, em tempos de motores turbo cada vez menores, não impressiona olhar para esses números. Mas é preciso dirigir antes de tirar conclusões.

O conjunto trabalha de maneira bastante suave e previsível. O CVT foi bem calibrado e utiliza o sistema Step-Shift para simular trocas de marchas quando se exige mais do motor. Não espere um SUV esportivo. Não é essa a proposta. O que o ZR-V entrega é progressividade e conforto. E isso combina perfeitamente com o restante do carro.

Um detalhe que merece destaque é o cuidado da Honda com o isolamento acústico. O ZR-V utiliza materiais fonoabsorventes em diferentes pontos da carroceria e conta até com para-brisa acústico. Na prática, isso ajuda a criar uma cabine bastante silenciosa.

É daqueles detalhes que não aparecem imediatamente quando você entra no carro, mas que passam a fazer diferença depois de algumas horas ao volante. Principalmente em uma viagem.

Segurança

A segurança continua sendo um dos pontos fortes. O Honda SENSING reúne controle de cruzeiro adaptativo, frenagem para mitigação de colisão, permanência em faixa, mitigação de evasão de pista e farol alto automático.

São oito airbags, controle de estabilidade e tração, assistentes de partida em aclive e descida, monitor de atenção do motorista, LaneWatch, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e câmera de ré. É um pacote completo.
E, mais importante, são sistemas que funcionam de maneira discreta durante a condução, sem transformar a direção em uma disputa permanente entre motorista e eletrônica.