Estadão

Bolsa fecha dia em baixa de 0,49% e acumula perda de 0,53% na semana

Em dia de recuperação mais forte no dólar – com a moeda à vista voltando a ser negociada a quase R$ 5,14 durante o pregão, após ter chegado na mínima da semana à casa de R$ 5,01 -, o Ibovespa teve a quarta sessão de acomodação, nesta sexta-feira em viés negativo, distanciando-se um pouco mais da recente máxima histórica, de 131 mil pontos. Nesta sexta-feira, o índice da B3 fechou em baixa de 0,49%, a 129.441,03 pontos, entre mínima de 128.677,81 e máxima de 130.294,45, com giro financeiro bem enfraquecido, a R$ 20,1 bilhões.

Após ter emendado seis renovações de recordes até a última segunda-feira, quando foi a 130.776,27 no fechamento, com pico intradia a 131.190,30 pontos, o Ibovespa colheu desde então duas realizações abaixo de 1%, na terça e nesta sexta, e registrou duas leves altas, inferiores a 0,15%, na quarta e quinta-feira.

Na semana, acumulou perda de 0,53%, vindo de ganhos de 3,64%, 2,42% e 0,58% nas três anteriores. Em junho, o índice da B3 avança 2,56%, com ganho a 8,76% no ano.

Após o Ibovespa ter iniciado a semana concluindo a sua sequência de ganhos (oito) mais longa desde fevereiro de 2018, e chegado aos 26 mil pontos em dólar, maior nível do ano, uma acomodação é vista como natural, especialmente pela semana que se avizinha, com decisão de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, na mesma quarta-feira. Na semana que chega agora ao fim, tanto o IPCA a 0,83% em maio, no maior nível para o mês em 25 anos, como o CPI a 5% ao ano, maior nível desde 2008, mantiveram a inflação, aqui e nos EUA, entre os fatores de consideração central para o mercado – o que ganha peso com a proximidade de novas deliberações e sinalizações sobre juros, aqui e lá fora.

"O Ibovespa está diante de uma resistência gráfica, de 132 mil pontos, e é preciso ver agora para onde vai, porque muita coisa positiva, de dados econômicos, já foi para o preço, como as vendas do varejo, o PIB. É preciso de um fato novo, quem sabe, sobre as reformas. Para a semana que vem, a expectativa é por aumento de 0,75 ponto na Selic e, mais do que a decisão em si, a atenção estará no comunicado, com o mercado em busca de sinal para agosto, talvez de um aumento maior nos juros", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.

"A semana foi cansativa para o mercado, com inflação elevada e eventos corporativos que não contribuíram para que se entrasse em novas aventuras", vindo o Ibovespa de renovação de recordes e com a expectativa voltada para o Copom e o Fomc na semana que vem, diz Pedro Paulo Silveira, gestor da Nova Futura Investimentos.

Nos Estados Unidos, "enquanto a elevação das taxas de juros for acompanhada de perspectivas favoráveis para o crescimento global e a expectativa for de uma alta transitória da inflação, o movimento não deve ser visto como negativo para o cenário econômico global", observa a Claritas Investimentos em carta mensal, na qual se refere à perspectiva para junho. "No entanto, caso as taxas de juros disparem rapidamente e, principalmente, junto com elevação das taxas de juros reais nos EUA, as condições financeiras podem ser impactadas negativamente, com aumento da volatilidade, maior seletividade entre os diversos ativos e busca por proteção a um eventual cenário de alta mais pronunciada da inflação e redução antecipada dos estímulos monetários."

Em dia no qual a Petrobras anunciou, a partir de sábado, redução de 5 centavos no litro da gasolina – em momento no qual o Brent é negociado acima de US$ 72 por barril, fechando a terceira sessão de ganhos -, as ações PN e ON da empresa encerraram a sessão em baixa de 0,38% e 0,78%, respectivamente, enquanto Vale ON mostrou boa recuperação, em alta de 2,24%, a R$ 114,34 nesta sexta-feira – positiva também para o setor de siderurgia, com ganhos de até 2,68% (Gerdau PN).

O setor bancário, de maior peso na composição do índice, registrou nesta sexta perdas de até 1,28% (Bradesco ON), em realização de lucros após um começo de mês em que o segmento acumula ganhos acima da média do Ibovespa no período, chegando a 10,94% (Itaú PN).

"Sexta é dia típico para realização e volume mais fraco, e o que acabou prevalecendo hoje foi o corporativo", na ausência de outros catalisadores para o dia, diz Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos, chamando atenção para realização de lucros no setor de shopping centers, que vinha em recuperação após ter sofrido muito durante a pandemia. Nesta sexta, Iguatemi (-4,00%) segurou a ponta negativa do Ibovespa, com Raia Drogasil (-4,32%) e Carrefour (-3,98%). No lado oposto, Embraer subiu 5,10%, BRF, 3,94%, e Gerdau PN, 2,68%.

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