Os casos de feminicídio registrados no estado de São Paulo caíram em junho deste ano, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Foram 17 ocorrências no mês, quatro a menos que as 21 registradas em junho de 2025, uma redução de 19%.
O resultado representa o segundo mês consecutivo de queda do indicador. A redução observada em maio e junho interrompe a sequência de altas registrada no primeiro trimestre do ano.
Apesar do recuo nos últimos meses, o acumulado do primeiro semestre ainda apresenta alta. Entre janeiro e junho, foram registrados 141 feminicídios em São Paulo, contra 128 no mesmo período de 2025.
Capital e Região Metropolitana registram queda no semestre
Na capital paulista, três feminicídios foram registrados em junho, um a mais que no mesmo mês do ano passado. No acumulado do semestre, porém, houve redução: foram 24 casos entre janeiro e junho, contra 31 no mesmo período de 2025.
Na Região Metropolitana de São Paulo, o número de ocorrências caiu de 27 para 21 no primeiro semestre. Apenas em junho, foram três casos, contra oito registrados no mesmo mês do ano anterior.
Já no interior do estado, a situação apresenta cenário diferente. Foram 96 feminicídios no primeiro semestre, ante 70 no mesmo período de 2025. Em junho, foram registrados 11 casos, mesmo número contabilizado no ano passado.
Denúncias podem ajudar a interromper ciclo de violência
As forças de segurança reforçam que a denúncia de casos de violência contra a mulher é uma das principais ferramentas para prevenir situações que podem evoluir para crimes mais graves.
A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher no estado, delegada Cristiane Braga, destaca a importância da atuação integrada entre investigação, acolhimento e rede de proteção.
“O enfrentamento à violência contra a mulher exige investigação qualificada, acolhimento humanizado e atuação integrada com toda a rede de proteção.”
Segundo a delegada, familiares, vizinhos e testemunhas também podem comunicar episódios de violência, contribuindo para que situações de risco sejam identificadas antes de uma possível escalada das agressões.
Estado amplia mecanismos de proteção
São Paulo conta atualmente com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), sendo 19 com funcionamento ininterrupto. A estrutura também inclui 220 Salas DDM Online, que permitem o registro de ocorrências e atendimento especializado em diferentes municípios.
A Polícia Militar também utiliza ferramentas específicas para o atendimento às vítimas, como a Cabine Lilás, o aplicativo SP Mulher Segura e a Patrulha SP Mulher Segura.
De acordo com a comandante-geral da PM, coronel Glauce Cavalli, as iniciativas buscam ampliar o acompanhamento preventivo e acelerar a resposta em situações de risco.
Entre as medidas adotadas pelo estado estão ainda o Espaço Lilás, voltado ao acolhimento e orientação de mulheres, e o monitoramento eletrônico de agressores por meio de tornozeleiras.
Desde setembro de 2023, quando o sistema foi implantado, mais de 900 pessoas foram monitoradas por crimes relacionados à violência doméstica. Atualmente, 243 agressores estão sob monitoramento, e 141 prisões ocorreram após violações das medidas determinadas.


