Estadão

China estimula alta do Ibovespa, mas ausência de Nova York é fator limitador

O ambiente internacional positivo estimula valorização do Ibovespa na manhã desta segunda-feira, 4, sobretudo por conta de notícias da China. O ganho, contudo, é discreto e liquidez tende a ser reduzida. Isso porque as bolsas americanas não abrem hoje, em razão do feriado em celebração ao Dia do trabalho nos EUA.

Já na quinta-feira, 7, será a vez de o mercado brasileiro ficar fechado devido ao Dia da Independência, o que, de certa forma, já deixa hoje o investidor com disposição mais comedida. As commodities também não ajudam muito o Índice Bovespa, dado que estão no zero a zero.

"Não há grandes novidades. Os investidores aproveitam para digerir as informações da semana passada, com um saldo positivo praticamente em cima da China, enquanto os Estados Unidos caminham para uma leve recessão. Isso pode atrapalhar algum otimismo com o avanço da pauta econômica no Congresso", afirma Thiago Lourenço, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Aliás, hoje mais uma vez, notícias da China estimulam ganhos do Ibovespa, que subia 0,42%, aos 118.391,22 pontos, ante máxima aos 118.576,42 pontos, quando avançou 0,58%.

Para completar, a agenda de divulgações é escassa, mas vale destacar o boletim Focus, com as estimativas para IPCA parando de "melhorar", como avalia em nota o economista André Perfeito. A mediana das expectativas para IPCA subiram de 4,90% para 4,92% e de 3,87% para 3,88 em 2024; para 2025, seguiu em 3,50% ao ano. Quanto ao juro básico, a estimativa ficou em 11,7% (2023), em 9,00% (2024) e em 8,50% (2025 e 2026).

"O fim da melhora do IPCA, pode reverter aos poucos as convicções no mercado de que o Banco Central irá levar a taxa Selic para baixo de dois dígitos o ano que vem", avalia o economista André Perfeito.

Conforme Lourenço, da Manchester, apesar da aceleração nas projeções para IPCA, "não é nada absurdo". Porém, afirma que o mercado segue acompanhando o debate da agenda econômica no Congresso, à medida que segue cético em relação ao cumprimento da meta fiscal zero em 2024, como defende e almeja o governo.

O investidor ficará atento à participação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento em São Paulo, para saber se haverá algum sinal sobre o ritmo de queda da Selic, que começou a ceder em agosto deste ano.

O governo se apressa para concluir a reforma ministerial antes do feriado de 7 de Setembro, enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), determinou que os deputados federais estejam em Brasília hoje, para votar pautas que considera importante. A expectativa é que a Câmara vote, antes do feriado, os projetos governamentais do Desenrola e a da taxação das apostas esportivas que visa uma maior arrecadação de impostos.

Apesar do feriado nos Estados Unidos, as bolsas começaram a semana animadas, cita em comentário matinal o economista Álvaro Bandeira. "O maior apetite ao risco ocorre em meio a dados de inflação desacelerando no mundo e a novos estímulos da China, que está decidida a por um fim na crise do setor imobiliário", menciona.

As bolsas da Ásia subiram. A ação da Country Garden foi destaque, após a notícia de que a empresa conseguiu estender o vencimento de um bônus, em um contexto de trabalho da incorporadora chinesa para evitar um default.

O mercado de ações europeu sobe com menos ímpeto, à espera de um discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, em meio a incertezas sobre a política monetária da zona do euro.

"A expectativa é de que suba os juros em pelo menos mais duas altas de 0,25 ponto porcentual, mas este cenário não é tão claro assim", avalia a economista-chefe do TC, Marianna Costa. "Muito se especula sobre uma eventual pausa na reunião de setembro", completa Marianna, lembrando que tal situação é semelhante à do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). "Os dados de mercado de trabalho divulgados na sexta-feira e o desemprego um pouco mais alta do que o esperado nos EUA corroboram um cenário no qual o Fed não subirá mais os juros", diz a economista.

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