Não adianta espernear, gritar ou mesmo se calar – como fizeram a maioria. A verdade é que vai sair caro para os vereadores de Guarulhos que formam a base do Governo Lucas Sanches (PL) e que só dizem “amém” ao mandatário. A aprovação do ridículo índice de 2% para os servidores públicos municipais, mesmo com espaço orçamentário para repor pelo menos a inflação dos últimos 12 meses, pela Câmara Municipal na quarta-feira passada, pegou bastante mal para os “nobres edis” perante o funcionalismo e também para a população.
“Não elegem ninguém”
E não adianta dizer, como afirmou o presidente da Casa, Fausto Martello, que o funcionalismo não elege ninguém. Muitos podem ter interpretado a afirmação com uma verdadeira afronta à categoria. Equivalente a dizer que os mais de 20 mil servidores públicos não valem nada, o que não é verdade. Porém, a fala passou a ideia de que é esse o pensamento que prevalece na cabeça dos 26 vereadores que simplesmente passaram por cima do funcionalismo apenas para agradar a Lucas Sanches.
Virando as costas para os seus

Desta forma, nada mais justo que exibir as fotos dos 26 vereadores que se declararam contra os servidores, como fez o GWEB no mesmo dia da votação e outros sites e posts nas redes sociais nos dias seguintes. Óbvio que nenhum político gosta de ver a imagem associada a um tema tão negativo. Um dos mais criticados pelos próprios servidores foi Rafa Marques (MDB), um GCM de carreira que se elegeu com votos de muitos colegas. A posição contrária à categoria foi uma demonstração de que ele honrou a farda da corporação.
Liberado pelo prefeito
A posição de Rafa ficou ainda mais complicada ao final da votação quando foi possível perceber que Lucas permitiu “traições”. Um que não seguiu a cartilha, provavelmente por estar em um partido de esquerda, mas que apoia o prefeito que se diz de direita, foi Guto Tavares (PDT). Ele conseguiu figurar no quadro de fotos daqueles que votaram a favor dos servidores, apesar de sempre dizer amém para Lucas e aplaudir o prefeito publicamente. Porém, diferentemente de outros sete parlamentares, o pedetista não votou favoravelmente às emendas que propunham reajustes superiores a 7% para os servidores.
E a representatividade?
Porém, o funcionalismo público, apesar de ter toda a razão de se revoltar contra o governo Lucas Sanches, parece mesmo não ter representatividade por meio do Stap, o sindicato da categoria. Depois do vexame do ano passado, quando a entidade induziu os servidores a voltarem ao trabalho no auge no movimento grevista, a assembleia realizada na última segunda-feira só serviu para marcar outra assembleia. Nada decidiu e demonstrou que a categoria não está disposta a se expor e depois ser deixada de lado sem praticamente qualquer conquista, como foi em 2025.
Assembleia para marcar assembleia
A assembleia da última segunda-feira, conforme nota do próprio Stap, deliberou apenas para a mobilização e organização da categoria para uma nova assembleia a ser realizada na próxima segunda-feira, dia 11 de maio. Até lá, tudo indica, o café já esfriou. Servirá para medir a capacidade de mobilização do Sindicato, diante de todo o descrédito acumulado no último ano. Por essas e outras, os servidores são obrigados a ouvir frases como a de Martello e serem desrespeitados por Lucas Sanches mais uma vez.
Tudo na faixa

Por falar em Lucas Sanches, o prefeito demonstra que não está nem aí com a Justiça e com as leis. De novo, espalhou centenas (pelo menos 900) faixas por toda Guarulhos, desrespeitando a legislação municipal que ele deveria ser o primeiro a zelar. Será que ele e seu assessor, que não faz outra coisa que não seja gravar e postar vídeos durante o horário de expediente na Prefeitura, acreditam mesmo que uma mãe fica mesmo mais feliz ao ver suas fotos penduradas nos postes? No entanto, o objetivo é outro. Enfiar goela abaixo do guarulhense a imagem do pré-candidato de Lucas. Provavelmente, apostam alto que a Justiça é realmente cega.
Vistas grossas
Em qualquer país sério, onde as leis valem para todos, não só Lucas seria exemplarmente punido, como seu pupilo poderia ser penalizado por fazer explicitamente campanha antecipada, fora do período eleitoral e utilizando recursos sem qualquer declaração oficial, para vender a imagem de bom moço aos guarulhenses. Já se sabe que ações populares sobre mais esse desrespeito já estão a caminho na Justiça Eleitoral. Resta saber se haverá vistas grossas.
Freud explica

O deputado federal de Guarulhos, Alencar Santana (PT), durante fala no Congresso Nacional, se referiu à deputada Érika Hilton como “deputado”. Interpelado pelo interlocutor, demorou para perceber o “ato falho” e se redimir ao perceber o erro. O tema repercutiu nas redes sociais e gerou críticas até mesmo de aliados.



