Economia

Dólar lidera aplicações em setembro

Depois de alcançar o maior patamar desde dezembro de 2008 na segunda-feira, 29 de setembro, na terça-feira, 30 de setembro, o dólar fechou praticamente estável (-0,04%) e se consolidou como a aplicação mais rentável em setembro, com valorização de 9,28%. Já a Bovespa, que há três meses vinha liderando o ranking de investimentos, encerrou o mês com o pior resultado mensal em mais de dois anos. Com recuo de 11,70%, inverteu posições e despencou para a lanterna do ranking mensal. Ontem, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) – principal termômetro do mercado acionário brasileiro – recuou 4,5%, a maior queda desde 22 de setembro de 2011.

O recuo foi puxado por pesquisas eleitorais que apontavam a melhora do desempenho presidente Dilma Rousseff nas intenções de voto, colocando em dúvida a certeza de um segundo turno. Os resultados das contas fiscais do governo divulgados ontem também causaram impacto negativo na Bolsa, levando ao recuo mensal de 11,70% – maior queda desde maio de 2012 (-11,86%).

“No mês passado, o dólar caiu um pouquinho e a Bolsa teve alta de mais de 9%. Esse mês foi o contrário: a Bolsa caiu, levou todo o ganho do mês passado e mais um pouco, e o dólar devolveu a alta”, diz Michal Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper. “O principal aspecto foi o cenário eleitoral, mas também houve a influência do ambiente internacional, com a pressão das bolsas nos Estados Unidos”, diz.

Câmbio

Já o dólar, que havia recuado 1,23% em agosto, subiu 9,28% no mês, pegando carona na repercussão das pesquisas eleitorais que indicavam aumento da possibilidade de manutenção do atual governo. “Além da influência das pesquisas eleitorais, os Estados Unidos vêm mostrando uma recuperação econômica mais rápida do que o mercado estava esperando”, afirma Fabio Colombo, administrador de investimentos.

Na sexta-feira, 26, o Departamento do Comércio do país revisou a estimativa do crescimento do PIB para a taxa anual de 4,6%. “Assim, há uma grande expectativa de que os Estados Unidos comecem a subir os juros antes do que era previsto, o que levou a uma valorização do dólar frente a outras moedas”, afirma Colombo. No ano, o avanço da moeda americana foi de 3,99% – abaixo, no entanto, da alta da Bolsa, de 5,07% até setembro.

Cautela

Para Colombo, as oscilações desses investimentos devem permanecer até o fim das eleições, o que exige cautela do investidor, sobretudo de pequeno porte. “Até a decisão das eleições, vai ficar nesse sobe e desce. Quem tem capital para investir mais a longo prazo pode colocar um pouco na Bolsa, pois ainda há margem para valorização”, diz ele.

Para Viriato, a baixa é uma possibilidade de entrada no mercado acionário, porém de modo gradual e diversificado. “Como é um momento atípico, agora você recompõe um pouco a parcela de risco de sua carteira de investimentos. Mas sempre com cuidado e aos poucos.” Já para quem é mais conservador ou não pode bancar oscilações, Colombo sugere que o investidor permaneça nos fundos DI, CDBs e papéis indexados à Selic (LTFs).

Renda fixa

Apesar de ter avançado apenas 0,71% em setembro, a renda fixa, ativo que teve maior valorização no primeiro semestre, ainda é o investimento mais rentável no ano, com alta de 6,79%. “Os fundos de papéis indexados à inflação e prefixados acabaram sofrendo com todo esse cenário turbulento”, diz Colombo. “É preciso deixar até o vencimento do papel, sem se assustar com as oscilações pelo caminho”, diz o administrador.

Viriato coloca como opção os fundos imobiliários. “É um ativo que tem espaço para crescer e pode dar um retorno de investimento bastante atrativo, então o investidor pode olhar com cuidado.” Já os fundos DI tiveram em setembro o mesmo desempenho dos fundos de renda fixa, com avanço de 0,71%. No ano, teve a segunda maior alta – ao lado dos CDBs e logo atrás da renda fixa -, de 6,17%. O ouro, beneficiado pela valorização do dólar, teve alta mensal de 2,70%. No ano, o avanço foi de valorização de 4,97%. Colaborou Renata Pedini. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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