A sobrecarga feminina dentro de casa voltou ao centro do debate neste mês das mães. Mesmo com o avanço da participação das mulheres no mercado de trabalho, a responsabilidade pelos cuidados com filhos, casa e família ainda recai majoritariamente sobre elas, cenário que tem provocado impactos diretos na saúde mental e na qualidade de vida.
Dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que as mulheres brasileiras dedicam, em média, 9,6 horas a mais por semana do que os homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas.
Para Luciane da Luz, a desigualdade é resultado de uma construção histórica e cultural que ainda associa o cuidado exclusivamente à figura feminina.
“É preciso desconstruir a ideia de que o cuidado é uma característica natural das mulheres e promover uma educação mais igualitária desde a infância”, afirma a especialista.
Jornada dupla aumenta estresse e exaustão
Segundo uma professora , a chamada jornada dupla quando mulheres conciliam trabalho profissional e responsabilidades domésticas está diretamente ligada ao aumento de estresse, ansiedade e esgotamento físico e emocional.
Além dos impactos psicológicos, a sobrecarga também afeta a carreira profissional de muitas mães, reduzindo oportunidades de crescimento, disponibilidade para qualificação e permanência no mercado de trabalho.
“Existe uma idealização da maternidade que coloca a mãe como totalmente disponível e responsável exclusiva pelo bem-estar dos filhos. Esse modelo é inalcançável na prática, mas ainda funciona como referência”, explica Luciane.
Redes de apoio ajudam a reduzir a pressão
Diante desse cenário, especialistas apontam que redes de apoio têm papel fundamental para aliviar a sobrecarga feminina. Familiares, amigos, vizinhos e grupos comunitários podem contribuir na divisão de responsabilidades e no suporte emocional.
Nos últimos anos, também cresceram iniciativas como grupos de mães, cooperativas de cuidado e comunidades digitais voltadas ao acolhimento e troca de experiências.
Empresas e políticas públicas são apontadas como fundamentais
A discussão também envolve o papel das empresas e do poder público. Algumas organizações passaram a adotar medidas como horários flexíveis, auxílio-creche e programas de parentalidade para funcionários.
Já especialistas defendem que políticas públicas, como ampliação do acesso a creches e licenças parentais mais equilibradas, são essenciais para reduzir desigualdades e estimular maior participação dos pais nos cuidados familiares.
Segundo Luciane, a desigualdade no cuidado também está ligada à condição socioeconômica das famílias, já que mulheres em situação de vulnerabilidade dependem ainda mais de redes informais e serviços públicos.
“A sociedade precisa compreender que o cuidado com as crianças deve ser uma responsabilidade coletiva, e não apenas da mãe”, conclui.



