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Fique longe das estatísticas negativas

Não está fácil para ninguém. Você já deve ter ouvido alguém falar isso ultimamente. Reflexo da crise econômica, que anda fazendo estragos grandes e não dá mostras de arrefecimento. Para quem tem um negócio, a situação não é nada tranquila. Nos sete primeiros meses do ano foram registradas 627 falências no Brasil, o patamar mais elevado para o período desde 2006. As micro e pequenas empresas ficaram com a nada honrosa liderança: 323 pedidos de falência diante de 174 das médias e 130 das grandes de janeiro a julho, segundo dados do Indicador Serasa Experian.
 
Em julho, o número de requerimentos de falência também foi recorde na comparação com igual mês desde 2006. Foram 135 casos. Isso representou ainda 28,6% a mais do que em junho, quando houve 105 pedidos. E lá estão as micro e pequenas empresas mais uma vez no topo da lista com 68 requerimentos em julho, ante 40 das grandes e 27 das médias.
 
O empreendedor que não quiser ver seu negócio virar estatística negativa tem de agir. O primeiro passo é cortar gastos. Eliminar excessos, repensar a logística, trocar materiais mais caros por mais baratos (mas sem comprometer o produto final, claro). 
 
 
O segundo passo é ter uma boa comunicação com a clientela. E o que comunicar? Que tal ações para atrair o consumidor e que o convençam a gastar? Estenda os prazos de financiamento. Se ele puder pagar em mais parcelas, a compra pesará menos no orçamento, que vem sendo corroído pela escalada da inflação.
 
Ofereça produtos de preços menores e competitivos, mas de qualidade semelhante ao que o cliente costumava levar. Faça promoções, uma por mês, por exemplo. Aumente a variedade de itens, assim há mais chances de agradar.
 
Faça parcerias com outros varejistas. Por que não ter vale-presente da sua loja na floricultura, livraria ou em outros pontos de circulação próximos?  Parceria com fornecedores também é interessante, assim é possível ter algum item exclusivo e mais em conta. 
 
Prestigie quem é fiel. Pizzarias usam muito tal estratégia: dê vales aos consumidores que, após um número determinado de compras, recebem algo grátis. 
 
Tenha tudo na ponta do lápis. Veja quais os produtos com mais giro e controle o estoque para não faltar nem sobrar (mercadoria sem saída é prejuízo). Organize o ponto de venda para torná-lo mais atrativo para quem o vê.
 
Use sua criatividade, bom senso e esteja antenado aos hábitos de compra do seu público e ao movimento da concorrência. O importante é ter agilidade para se adaptar à conjuntura e sobreviver a mais essa má fase.
 
 
Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP
 
 

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