Cidades

Iniciativa fomentará negócios sociais administrados por ONGs da Gerando Falcões

O #Vaikidá é uma iniciativa da Gerando Falcões que tem como objetivo fomentar a sustentabilidade financeira dos projetos sociais através de uma proposta de investimento financeiro destinado a fortalecer, ampliar e/ou abrir uma nova frente de captação de recursos a partir da ampliação de um negócio social elaborado por uma ONG da rede Gerando Falcões.

No primeiro edital, 10 instituições inscreveram propostas de fomentação local e, dessas, seis foram selecionados para apresentarem suas ideias para a Banca Examinadora, composta por Edu Lyra, Nina Rentel, Thiago Oliveira, Dani Cruz e João Paulo (JP). Três líderes comunitários finalistas receberão um investimento de até R$ 60 mil. Em um prazo de dois anos, o aporte retornará para Gerando Falcões, à vista ou em 6 vezes sem juros ou correção monetária. O valor devolvido será utilizado para fomentar outras iniciativas semelhantes às contempladas no #Vaikidá.

Para estruturar o negócio, o líder precisa trabalhar a capacidade administrativa, demonstrar com clareza a ampliação do impacto social e, por fim, demonstrar um plano de negócio com objetivos claros. Para tanto, além do investimento, a Gerando Falcões oferecerá uma mentoria dos parceiros de banca para que os finalistas prosperem em seus respectivos negócios sociais.

A Gerando Falcões sabe da importância de trabalhar em rede, de formar um ecossistema inteligente, em que o recurso investido retorna para a rede, a fim de apoiar outros líderes sociais. Assim, ela se aproxima da grande missão de mandar as desigualdades das favelas para o museu, antes de Marte ser colonizado.

“Existem muitos líderes comunitários com projetos incríveis. Em geral, eles ficam à mercê do investimento pontual de apoiadores que nem sempre conseguem manter perenidade em suas doações, gerando instabilidade financeira e, até mesmo, o encerramento das atividades. O edital #Vaikidá tem como objetivo claro fomentar negócios sociais que movimentem as comunidades e diversifiquem a base de arrecadação das ONGS”, afirma Nina Rentel, diretora de operações da Gerando Falcões.

Projetos contemplados

A Opportunità Pizzaria Social, do Instituto Recomeçar, de Poá, em São Paulo, tem por objetivo fomentar a sustentabilidade financeira do negócio a partir do social business. Com equipe definida, do balconista ao CEO, o negócio pretende vender mais de 17 mil pizzas em 12 meses.

Ressocialização será uma palavra fundamental no negócio, que pretende capacitar 50 egressos do sistema prisional, ampliando as chances de inserção social, seja através do mercado de trabalho ou, até mesmo, pela oportunidade de gerar renda através do empreendedorismo.

Em Natal, a líder do Motivar criou a Frutivar. O negócio foi estruturado de forma que contribua com a redução de desperdícios, estabelecendo parcerias com supermercados e comerciantes do setor de hortifruti, de modo que as frutas que seriam descartadas por estarem muito maduras ou esteticamente inviáveis para venda – porém ainda próprias para consumo – sejam doadas ao projeto e transformadas em produtos frescos e saudáveis, como sucos e polpas.

A ONG promete fornecer ao turista da capital do Rio Grande do Norte, uma garrafinha de suco natural e geladinho por um preço acessível. As polpas, também comercializadas por um valor abaixo do mercado, serão oferecidas a estabelecimentos locais, tornando acessível à comunidade um produto de qualidade e saudável. Jovens da comunidade da Vila de Ponta Negra serão treinados e incluídos no modelo de negócio. A ONG poderá ampliar o número de atendidos e colocar em prática novos projetos de impacto para a região.

O banco social As Lagoas nasceu a partir do projeto do Instituto Mandaver, localizado em Maceió-AL. Criado para modificar a prática bancária e resolver o problema da desbancarização na região do bairro do Vergel do Lago, a instituição contribuirá, de forma significativa e inovadora, em outras frentes essenciais para o desenvolvimento sustentável, como, por exemplo:

impacto ambiental: através da redução do lixo acumulado nas praias da região pelo manejo adequado das cascas de sururu, um dos principais meios de sobrevivência da comunidade;

empoderamento feminino: tendo em vista que as marisqueiras – mulheres da região diretamente envolvidas no preparo do sururu – poderão contar com um incremento na renda a partir da venda do resíduo, devidamente descartado;

fortalecimento do comércio local: tanto o pagamento pela casca do sururu, quanto o microcrédito voltado ao consumo, serão acessados através da moeda local, o Sururote, que é aceita na rede de comércio da comunidade de Vergel do Lago. Assim, a circulação de dinheiro local potencializa os empreendimentos da região.

A equipe do banco conta com pessoas experientes no ramo administrativo e abrirá novas oportunidades no mercado de trabalho. Com o negócio, a instituição pretende impactar 3.500 pessoas com ações de apoio financeiro e treinamentos para regularização de empreendimentos, se aproximando do objetivo de transformar o Vergel do Lago em um dos lugares mais empreendedores e inovadores do Brasil.