Estadão

Juros operam perto da estabilidade com IPCA abaixo da mediana e payroll forte

Os juros futuros abriram esta sexta-feira em queda reagindo à divulgação do IPCA de junho, que ficou em 0,67% ante 0,47% em maio, mas abaixo da mediana das estimativas coletadas na pesquisa do <i>Projeções Broadcast</i>, de 0,71%. No entanto, o movimento era limitado pela leitura negativa dos preços de abertura, uma vez que a média dos núcleos, preços de serviços subjacentes e preços livres, por exemplo, vieram acima das medianas do mercado.

O sinal de baixa posteriormente foi zerado após a divulgação do relatório de emprego nos Estados Unidos, que provocaram forte alta no rendimento dos Treasuries. A criação de vagas de trabalho nos (372 mil) ficou acima da mediana das estimativas (275 mil), reforçando o discurso dos dirigentes do Federal Reserve combativo em relação à inflação e ao aperto monetário.

Mais cedo, na divulgação de resultados atrasados da pesquisa Focus pelo Banco Central, a mediana para o IPCA de 2022 perdeu fôlego na última semana, enquanto as estimativas para 2023, foco atual da política monetária, seguiram avançando e já estão acima do teto também para o próximo ano. A projeção para 2022 passou de 8,27% para 7,96%, já a de 2023 subiu de 4,91% para 5,01%. Há um mês, as estimativas eram de 8,89% e 4,39%, respectivamente. A projeção para a Selic no fim deste ano ficou estável em 13,75%, mas a de 2023 subiu de 10,25% para 10,5%.

"O IPCA e a Focus devem manter a perspectiva de continuidade do ajuste da Selic, com a curva de juros neste momento precificando taxa terminal levemente acima de 14%", destaca Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

Na seara fiscal, como o adiamento da votação da PEC dos Combustíveis no plenário da Câmara, esperada para ontem, ficou para terça-feira da semana que vem, pode haver alguma volatilidade na curva, dado que a perspectiva era de que o texto não fosse mais alterado.

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