Estadão

Mundo árabe é 3º maior mercado para o Brasil, destaca Bolsonaro em fórum

O presidente Jair Bolsonaro salientou nesta segunda-feira, 4, que o mundo árabe constitui hoje para o Brasil o terceiro maior mercado no exterior, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Em vídeo gravado para o Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, realizado em São Paulo, o chefe do Executivo comentou que a corrente de comércio entre o Brasil e os países da Liga Árabe alcançou em 2021 mais de US$ 24 bilhões, um recorde na série histórica.

"Esse número deve seguir aumentando", previu, mencionando que, de janeiro a abril, as exportações do Brasil para o mundo árabe saltaram de R$ 4 bilhões, em 2021, para US$ 5,2 bilhões em 2022. Bolsonaro destacou que foi o primeiro presidente brasileiro a visitar duas vezes no mesmo mandato a região do Golfo. "Em minha última viagem, inaugurei uma nova embaixada no Bahrein. Contamos hoje com 18 representações diplomáticas nos 22 países que integram a Liga Árabe", disse. "Na minha gestão, o Brasil intensificou suas relações com o mundo árabe."

O presidente comentou também que, com o fim das restrições da pandemia, a retomada dos encontros de alto nível é outro sinal deste compromisso entre as duas partes. "Em novembro, recebemos a primeira visita de um chanceler saudita ao Brasil. Estamos trabalhando para receber ainda este ano, em Brasília, visitas do Emir do Catar, do rei do Bahrein, do príncipe herdeiro da Arábia Saudita e do novo presidente dos Emirados Árabes Unidos", citou.

<b>Segurança alimentar</b>

Bolsonaro também disse no vídeo gravado que o secretário de assuntos estratégicos, almirante Flávio Rocha, acaba de realizar missão empresarial a nove países árabes em um esforço de identificação de novas oportunidades para fortalecer o fluxo de comércio e investimentos entre as partes. "Em um momento em que a comunidade internacional busca soluções para garantir a segurança alimentar do mundo, o elo entre o Brasil e o mundo árabe se fortalece. Nem diante dos desafios impostos pela pandemia deixamos de desempenhar o nosso papel no suprimento de alimentos."

No vídeo, Bolsonaro afirmou que o Brasil é hoje o maior exportador de proteína halal (permitido aos muçulmanos) no mundo – a certificação halal garante que os produtos seguem as regras do islamismo, mas também busca o bem estar animal e a preservação ambiental.

Segundo o presidente, além do comércio de carnes de frango e bovina, crescem as exportações brasileiras de açúcar, soja e trigo. Por outro lado, continuou, 26% dos fertilizantes que abastecem o agronegócio brasileiro vêm do mundo árabe. Bolsonaro comentou que o ministro da Agricultura, Marcos Montes, que também participará do evento de forma remota, buscou expandir essas parcerias e viagens recentes à Jordânia, ao Egito e ao Marrocos.

Sobre os países árabes, o presidente disse que a Argélia foi, em 2021, o principal parceiro comercial do Brasil no continente africano. No caso do Egito, mencionou que se trata de um dos maiores mercado para a carne bovina brasileira no mundo e que é o principal destino das exportações brasileiras na África. "Em matéria de importações, o Marrocos tem sido o nosso maior fornecedor no continente africano", salientou, acrescentando que o país hoje ocupa a posição de terceiro maior provedor de fertilizantes do Brasil, atrás de Canadá e Rússia.

<b>Investimentos</b>

No que diz respeito a investimentos, Bolsonaro enfatizou que os fundos árabes tornaram-se uma das principais fontes de capital para o Brasil. De acordo com ele, algumas estimativas apontam que esse montante já se aproxima de US$ 20 bilhões. "Nossa participação na ExpoDubai gerou negócios com previsão de investimentos da ordem de US$ 10 bilhões."

Por fim, o presidente disse que o objetivo do Brasil é concluir acordos com países árabes que facilitem investimentos e evitem a dupla tributação e que, no âmbito do Mercosul, os resultados obtidos pelo acordo de livre comércio com o Egito inspiram outras iniciativas, como as negociações lançadas com os Emirados Árabes Unidos.

"Temos em nosso País a maior comunidade de ascendência árabe fora do Oriente Médio e do Norte da África. São mais de 10 milhões de pessoas integradas à nossa sociedade e parte da nossa riqueza cultural e humana. A essa comunidade, representada hoje no fórum, expresso o reconhecimento do governo brasileiro. Estou convencido de que estamos apenas começando a explorar o potencial de cooperação econômica entre o Brasil e o mundo árabe. Contem com os esforços do meu governo para seguirmos avançando juntos."

<b>Guedes</b>

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não participa do Fórum Econômico Brasil & Países Árabes, como estava previsto na agenda da pasta. O secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, participa do evento e disse que Guedes teria outro compromisso no mesmo horário. A assessoria do Ministério da Economia ainda não informou qual compromisso entrou na agenda do ministro nesta manhã.

Ferraz faz um relato sobre as realizações do governo Jair Bolsonaro nas agendas de abertura comercial, redução de barreiras e eliminação de burocracias no comércio exterior.

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