Estadão

Quedas na soja e nos combustíveis puxam deflação no atacado no IGP-DI de março

As quedas de preços de itens como soja em grão (-5,66%), óleo diesel (-5,52%), farelo de soja (-7,66%) e gasolina automotiva (-3,91%) aprofundaram a deflação no atacado medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de março, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

O IGP-DI saiu de uma alta de 0,04% em fevereiro para um recuo de 0,34% em março. Com este resultado, o índice acumulou queda de 1,16% em 12 meses.

Em março de 2022, o índice havia subido 2,37% e acumulava elevação de 15,57% em 12 meses.

"A taxa de variação do índice ao produtor – indicador com maior influência sobre o resultado do IGP-DI – caiu 0,71%. As principais contribuições para a queda da taxa do IPA partiram da soja (de -3,06% para -5,66%), do farelo de soja (de -1,23% para -7,66%) e da gasolina (de 5,66% para -3,91%). A inflação ao consumidor subiu 0,74%, registrando importante avanço em comparação a fevereiro, quando subira 0,34%. Gasolina (de -0,26% para 8,66%) e energia elétrica (de -0,26% para 3,30%) foram os itens que mais contribuíram para a aceleração da inflação. Por fim, a taxa mensal do INCC avançou sob influência da mão de obra, que registrou aumentos salarias via acordos coletivos firmados em fevereiro", afirmou André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), em nota oficial.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) passou de uma redução de 0,04% em fevereiro para uma queda de 0,71% em março.

Na análise por estágios de processamento, o grupo Bens Finais desacelerou o ritmo de alta de 0,21% em fevereiro para 0,18% em março, tendo como principal responsável o item combustíveis para o consumo, cuja taxa passou de 3,84% para -2,81%.

O grupo Bens Intermediários passou de queda de 0,70% em fevereiro para recuo de 1,78% em março, puxado pelo subgrupo materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa saiu de redução de 0,08% para queda de 1,03%.

O estágio das Matérias-Primas Brutas passou de uma alta de 0,44% em fevereiro para queda de 0,37% em março. Contribuíram para o movimento os itens: soja em grão (de -3,06% para -5,66%), café em grão (de 10,07% para -0,53%) e suínos (de 7,05% para -0,85%). Em sentido oposto, as taxas foram mais elevadas para o minério de ferro (de 2,63% para 3,45%), aves (de -0,69% para 2,83%) e bovinos (de -2,37% para -1,35%).

<b>Preços ao consumidor</b>

As altas nos preços da gasolina (8,66%) e da energia elétrica residencial (3,30%) aceleraram a inflação no varejo medida pelo IGP-DI de março, informou a FGV.

Quatro das oito classes de despesa registraram taxas de variação mais elevadas: Transportes (de 0,43% em fevereiro para 2,82% em março), Habitação (de 0,60% para 0,94%), Alimentação (de -0,03% para 0,15%) e Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,84% para 0,96%). Os destaques foram os itens gasolina (de -0,26% para 8,66%), tarifa de eletricidade residencial (de -0,26% para 3,30%), hortaliças e legumes (de -7,09% para -1,83%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (de 1,35% para 2,00%).

Na direção oposta, as taxas foram mais baixas nos grupos Educação, Leitura e Recreação (de -0,80% para -1,90%), Despesas Diversas (de 1,01% para 0,16%), Comunicação (de 0,67% para 0,30%) e Vestuário (de 0,36% para 0,11%). As maiores influências partiram dos itens: passagem aérea (de -4,24% para -9,75%), serviços bancários (de 1,49% para 0,00%), combo de telefonia, internet e TV por assinatura (de 0,96% para 0,17%) e roupas (de 0,49% para 0,18%).

O núcleo do IPC-DI passou de alta de 0,36% em fevereiro para elevação de 0,27% em março. Dos 85 itens componentes do IPC, 32 foram excluídos do cálculo do núcleo. O índice de difusão, que mede a proporção de itens com aumentos de preços, passou de 60,00% em fevereiro para 61,94% em março.

<b>Preços da construção</b>

Os aumentos de custos tanto dos materiais de construção quanto da mão de obra aceleraram a inflação do setor no IGP-DI de março, informou a Fundação Getulio Vargas. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) passou de um avanço de 0,05% em fevereiro para uma elevação de 0,30% em março.

O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de um aumento de 0,07% em fevereiro para uma alta de 0,12% em março. O custo dos Materiais e Equipamentos passou de uma redução de 0,12% em fevereiro para recuo de 0,07% em março, enquanto os Serviços saíram de alta de 0,97% para elevação de 1,04%.

Já o índice que representa o custo da Mão de Obra passou de aumento de 0,02% em fevereiro para elevação de 0,49% em março.

Posso ajudar?