O estado de São Paulo alcançou uma marca histórica nos primeiros quatro meses de 2026 ao não registrar nenhuma ocorrência de roubo a banco em todo o seu território. De acordo com os dados estatísticos da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), esta é a primeira vez que o indicador desta modalidade criminal é zerado em um quadrimestre desde o início da série histórica de monitoramento, iniciada em 2001.
O resultado consolida uma trajetória de queda acentuada ao longo das últimas duas décadas. Para efeito de comparação, no mesmo período do ano de 2006, o estado chegou a presenciar o pico de 151 assaltos a agências bancárias. O índice recuou para 16 ocorrências em 2018 e vinha operando no patamar mínimo de apenas um caso por ano em 2024 e 2025, até atingir a marca zero no balanço atual.
Queda em veículos e cargas
O recuo nos assaltos a instituições financeiras acompanha uma tendência de baixa em outras categorias de crimes contra o patrimônio em solo paulista. Os indicadores oficiais apontam que, entre janeiro e abril, o estado também obteve os menores volumes já medidos em roubos de veículos (5.883 casos) e roubos de cargas (867 ocorrências). Ambos os índices representam os patamares mais baixos em 26 anos de registros oficiais.
De acordo com a gestão da pasta, a melhora nos indicadores é reflexo direto da reformulação nas estratégias de policiamento e do investimento em recursos tecnológicos de ponta. O plano de ação combina o patrulhamento preventivo e ostensivo feito pela Polícia Militar nos chamados “pontos quentes” de criminalidade com as apurações de campo e inteligência da Polícia Civil, focadas no desmantelamento de grandes organizações criminosas.
Tecnologia do Muralha Paulista
Um dos pilares apontados para a blindagem do estado contra as quadrilhas especializadas é a expansão do programa Muralha Paulista. O sistema unificado conecta atualmente mais de 94 mil câmeras eletrônicas de vigilância, integrando equipamentos públicos e privados, além de contar com leitores automáticos de placas veiculares (OCR) e ferramentas de reconhecimento facial em tempo real.
As autoridades estaduais destacam que o uso de dados analíticos para nortear o posicionamento das viaturas e a rapidez na identificação de rotas de fuga têm inviabilizado a logística de ações criminosas de grande porte, asfixiando a atuação de quadrilhas que migraram ou abandonaram as práticas devido ao alto risco de captura em flagrante.


