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Cá entre Nós

Você quer uma nova chance?

Quase todas as pessoas mais chegadas a mim já tinham assistido ao filme CLICK, com Adam Sandler e Christopher Walken.

Como não sou muito fã do ator – nem de seus colegas Ben Stiller e o veterano Steve Martin –, preferi alugar a cópia na locadora perto de casa.



Afinal, muitos amigos haviam feito a indicação, sugerindo qualquer semelhança com minha dedicação total ao trabalho nos últimos meses.


Resumo da ópera.  Trata-se de um cara jovem – com dois filhos pequenos e uma mulher cheia de amor pra dar – que, no afã de ser bem-sucedido profissionalmente, acaba negligenciando os principais valores da vida, até que os perde – a família e a vida. Tudo porque ele não sabia lidar com situações adversas e se utilizava de um “controle remoto universal” para evitar confrontar seus próprios limites.


A sorte do personagem é que o mesmo “anjo” que deu de presente a ele o tal controle remoto, também concedeu uma nova chance de vida. Ele pôde modificar sua história e o destino de seus filhos e mulher, fazendo valer a máxima de que “a família vem em primeiro lugar”. E você? Faria algo diferente, se pudesse voltar atrás ou tivesse uma outra chance?


Muitos são os que vivem desperdiçando as oportunidades que a vida, generosamente, oferece. À primeira vista, em um julgamento confessadamente superficial,  eu nem consideraria justo dar tantas chances a alguém que não se mostra merecedor. Mas, como esse tipo de juízo me subtrai alguns pontos diante de Deus, nem vou entrar nesse mérito. Em princípio, todos merecemos uma nova oportunidade. O importante é saber usá-la com sabedoria.


Ao contrário de Click, em que o personagem tinha condições de adiantar sua vida e enxergar o futuro com apenas um botão, nos resta apenas avaliar o presente e dar uma olhadinha no passado. Ai, o passado. É incrível como quando duas pessoas se encontram para comentar fatos que aconteceram há 10, 20 ou 30 anos, cada uma tem a sua versão dos fatos – e, geralmente, alguns pontos não batem. Cada um tem a sua forma pessoal de “editar a cena”.


Olhar para o passado requer que a gente deixe sobre o criado-mudo aquela nossa boa dose de autopiedade. Para funcionar de verdade, é preciso que a gente avalie cada um dos tropeços sem dó, assumindo os erros e procurando enxergar o que simplesmente poderíamos ter feito diferente.


É incrível como pequenos gestos – ou a falta deles – podem influenciar o rumo de quem está presente em nossa vida, de alguma forma. Esta semana, entrevistando um mestre em psicologia sobre a relação entre felicidade, dinheiro e saúde, ele me disse com toda clareza de pensamento: “Felicidade é um estado de espírito que depende de um conjunto de fatores, como relacionamentos pessoais, amorosos e profissionais, além do fator dinheiro”.


O psicólogo chegou a traçar um paralelo entre a vida amorosa e a profissional. “Se todos nós sabemos – e já colocamos em prática, por questões de sobrevivência – que é preciso se dedicar ao trabalho, buscando ser criativo e dinâmico,  em nada essa condição difere da nossa vida amorosa. Quem não cultiva seus relacionamentos, fazendo as melhorias necessárias à vida a dois, acaba acreditando que felicidade não existe mesmo.”


De fato, se a gente quer uma nova chance, seja lá em que setor da nossa vida for, a primeira condição é agarrá-la com toda a força e reconhecimento, fazendo o possível para dar o nosso melhor, custe o que custar. Trata-se de uma questão de honra e aprendizado. É para isso que serve o passado: para apontar, como fazem as bússolas, um novo caminho a ser seguido. Portanto, a gente deve fazer do nosso presente – já que o amanhã depende do hoje – a grande oportunidade de fazer as coisas certas.


Um beijo a todos


Heloísa Paiva é jornalista e diretora da Press Página Projetos de Comunicação


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