O aumento dos afastamentos por transtornos mentais e os altos índices de estresse no ambiente de trabalho têm ampliado o debate sobre saúde emocional e autorregulação mental. Em momentos de crise financeira, pressão profissional ou dificuldades pessoais, o cérebro tende a operar em estado constante de alerta, afetando concentração, produtividade e capacidade de tomada de decisão.
Segundo a psicanalista e especialista em reprogramação mental Elainne Ourives, esse funcionamento ajuda a explicar por que muitas pessoas se sentem emocionalmente travadas justamente em períodos de maior pressão.
“Quando a mente entra em estado contínuo de alerta, a pessoa passa a reagir ao medo, e não à realidade concreta. Isso reduz a clareza, alimenta pensamentos repetitivos e dificulta decisões”, afirma a especialista.
O tema ganhou ainda mais relevância após relatórios internacionais apontarem crescimento da sobrecarga emocional no trabalho. Dados do relatório State of the Global Workplace 2025, da Gallup, mostram que 41% dos trabalhadores relataram vivenciar estresse diário. Já o Work Trend Index 2025, da Microsoft, identificou aumento da fadiga mental causada por excesso de estímulos digitais, jornadas fragmentadas e pressão constante por respostas rápidas.
Como o estresse afeta o cérebro
Especialistas explicam que o estresse é uma resposta natural do organismo diante de situações de ameaça. O problema ocorre quando esse estado de alerta permanece ativo por longos períodos, mesmo sem um risco imediato.
De acordo com Organização Mundial da Saúde, os transtornos relacionados à ansiedade estão entre os problemas de saúde mental mais comuns no mundo e impactam diretamente a vida social, emocional e profissional.
Entre os sinais mais frequentes de sobrecarga emocional estão:
- dificuldade de concentração;
- fadiga mental constante;
- insônia;
- irritabilidade;
- pensamentos repetitivos;
- procrastinação;
- sensação de incapacidade e sobrecarga.
Cinco práticas para recuperar o equilíbrio emocional
Segundo Elainne Ourives, algumas estratégias simples podem ajudar a reduzir o impacto emocional do estresse no cotidiano:
Respiração consciente
Exercícios respiratórios ajudam a reduzir a ativação fisiológica associada ao estresse.
Controle de estímulos
Diminuir excesso de notificações, consumo contínuo de notícias e hiperconectividade pode reduzir a tensão mental.
Observação de padrões mentais
Identificar pensamentos automáticos ligados ao medo e à culpa ajuda a interromper respostas emocionais repetitivas.
Rotina de recuperação
Sono adequado, pausas regulares e prática de atividade física contribuem para o equilíbrio emocional.
Foco intencional
Concentrar a atenção em ações concretas, em vez de permanecer preso ao problema, ajuda a reduzir a sensação de paralisia.
A especialista reforça que sintomas persistentes e prejuízos no dia a dia devem ser acompanhados por profissionais de saúde mental. “Autoconhecimento ajuda, mas há momentos em que a pessoa precisa de suporte especializado para reorganizar a própria saúde emocional”, conclui.


