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AVALIAÇÃO – RAM Rampage Bighorn ainda vale a pena com diesel nas alturas

 Com motor 2.2 de 200 cv e preço na casa dos R$ 229 mil, picape da Ram encara combustível caro e avanço dos eletrificados

Ernesto Zanon – @ernesto_zanon

 

O cenário mudou — e não foi pouco. A RAM Rampage Bighorn diesel 2026 chega ao mercado em um momento em que o diesel deixou de ser sinônimo automático de economia. Com o litro acima de R$ 7,50 em diferentes regiões, a conta ficou mais apertada. Ao mesmo tempo, o avanço dos modelos híbridos e elétricos começa a influenciar até segmentos mais tradicionais, como o das picapes.

Nesse novo contexto, escolher uma diesel já não é mais uma decisão óbvia. É uma decisão técnica. Com preço de mercado na casa dos R$ 229 mil, a versão Bighorn se posiciona como intermediária dentro da linha, mas já dentro de um patamar elevado de investimento. Isso aumenta a exigência do consumidor — que passa a analisar não só o carro, mas o custo real de uso.

   

Debaixo do capô, a principal mudança está no motor. A Rampage passa a utilizar o 2.2 turbodiesel, com cerca de 200 cavalos de potência, entregando mais força e melhor resposta em relação ao conjunto anterior. O foco continua sendo o mesmo: torque em baixa rotação, eficiência e uso consistente em estrada.

Na prática, é uma picape feita para rodar. E rodar bem. Baseada na mesma arquitetura de Jeep Compass e Jeep Commander, a Rampage mantém um comportamento mais próximo de SUV, com direção leve, bom nível de conforto e estabilidade em viagens longas.

Mas é no custo por quilômetro que a discussão se torna mais relevante. Com o diesel acima de R$ 7,50, rodar com a picape pode custar cerca de R$ 0,75 por km na cidade e R$ 0,53 por km na estrada. Não é pouco — e já não representa a economia evidente de outros tempos.

Ainda assim, a eficiência do motor diesel mantém a Rampage competitiva frente a modelos a gasolina, que sofrem com consumo mais elevado. A diferença existe, mas ficou menor. E isso muda tudo.

Hoje, a vantagem do diesel depende diretamente do perfil de uso. Para quem roda longas distâncias, utiliza o carro com frequência ou ultrapassa os 15 mil quilômetros por ano, a conta ainda fecha. A autonomia maior e o consumo mais baixo ajudam a compensar o combustível caro.

   

Por outro lado, no uso urbano, com trânsito intenso e baixa rodagem, essa lógica se perde. O diesel passa a pesar mais no bolso, e o valor de compra elevado reforça essa percepção.

Tudo isso acontece em um momento em que o mercado automotivo começa a mudar de direção. Os eletrificados já são realidade em vários segmentos, e começam a aparecer também no universo das picapes. Ainda não dominam o cenário, mas já influenciam a forma como o consumidor pensa eficiência.

A Rampage diesel segue sendo uma escolha sólida — mas já não é a única lógica quando o assunto é economia. Ela não piorou. O contexto é que ficou mais exigente. No fim, não é mais sobre o tipo de combustível. É sobre o uso.