Estadão

Câmara: tragédia no litoral norte de SP une de Tabata Amaral a Ricardo Salles

A bancada paulista na Câmara dos Deputados deixou de lado as diferenças ideológicas para ajudar as vítimas das chuvas fortes no litoral norte de São Paulo. O grupo irá destinar R$ 4 milhões em emendas para as vítimas da tragédia, segundo o líder da bancada, o deputado federal Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP). No último final de semana, enchentes e desabamentos causados pelo alto índice pluviométrico resultaram em 48 mortos – até o final da manhã desta quarta-feira, 22 – e deixaram cerca de 2,5 pessoas desalojadas e desabrigadas.

"A bancada paulista dos deputados federais, em um gesto de união e solidariedade, aprova o redirecionamento de parte dos recursos das emendas impositivas deste ano para socorrer às famílias dos municípios atingidos pela intensa chuva do final de semana no litoral paulista", define o documento aprovado pelo grupo, que reúne rivais políticos como Eduardo Bolsonaro (PL) e Guilherme Boulos (PSOL).

Além do envio das emendas, os deputados iniciaram uma campanha nas redes para divulgar os pontos de arrecadação de cestas básicas, água e outros produtos. Os endereços foram divulgados pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), por exemplo.

Outros parlamentares também anunciaram ações solidárias. A deputada Carla Zambelli (PL-SP), por exemplo, informou quais bases da Polícia Militar do Estado estão recebendo doações e o deputado Ricardo Salles (PL) destacou a posição unida da bancada, mas sem deixar de criticar as "ocupações de áreas de risco".

A união dos deputados federais segue o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Tarcísio de Freitas (SP). Com ideias opostas sobre política, os dois entes do Executivo têm trabalhado juntos no auxílio das vítimas. O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto, também se uniu à dupla.

Na segunda-feira, dia 20, Tarcísio agradeceu a presença de Lula em São Sebastião e afirmou que a ida do presidente ao litoral paulista dá "amparo e conforto" ao Estado. "A gente precisa trabalhar em um regime de cooperação", afirmou.

Lula usou a oportunidade para fazer comparações com o passado, sem citar Bolsonaro: "Queria mostrar a vocês uma cena que há muito tempo vocês não viam: um governador, um presidente, um prefeito, sentados numa mesa em função de algo comum que atinge a todos nós", disse.

"A presença do governador e do prefeito dá demonstração de que é possível exercer nossa função na democracia mesmo quando temos partidos diferentes ou pensamos de forma divergente. O bem comum do povo é muito maior que nossas diferenças políticas", acrescentou Lula.

<b>Redes sociais</b>

Como mostrou o <b>Estadão</b>, a aproximação de Lula e Bolsonaro causou disputa de narrativas nas redes sociais. Aliados de Lula reforçaram a comparação feita pelo presidente e relembraram o episódio de dezembro de 2021, quando Jair Bolsonaro disse esperar "não ter de retornar antes" de suas férias em Santa Catarina no momento em que a Bahia enfrentava fortes chuvas. Já políticos bolsonaristas criticaram a quantia liberada pelo governo federal para socorrer as cidades atingidas pelo temporal, de R$ 2 milhões.

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