Como explicar que vereadores ligadíssimos ao prefeito do PL, Lucas Sanches, tenham assinado o requerimento que permitiu o projeto de Decreto Legislativo de Fernanda Curti, indicando o ex-ministro Fernando Haddad para receber o título de cidadão guarulhense? Pois bem. Nada menos do que 18 parlamentares nestas condições subscrevem o texto. De forma indireta (ou seria direta) darão palanque ao principal adversário do atual governador Tarcísio de Freitas em pleno ano eleitoral. Só do Republicanos, o partido dele, são três vereadores assinando o projeto.
“Não me contrariem”

Irritado com falta de parecer da parte de Comissões da Casa em alguns projetos que não puderam ser colocados em votação na sessão da última segunda-feira, o presidente Fausto Martello (Republicanos) deu um verdadeiro pito nos demais vereadores demonstrando que ser contrariado não é seu forte. Ele cobrou que, a favor ou contra, as comissões precisam dar pareceres, sem ficar com rodeios ou adiamentos. O pano de fundo, mais uma vez, era a votação da APA Capelinha.
Cordeirinho
Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Laércio Sandes (UB), sabe-se lá porque motivos, correu para se justificar que encaminha tudo que chega, e que apenas um projeto ou outro acaba não tendo a celeridade que merece. O excesso de desculpas irritou Martello que partiu para cima do colega: “Não pode cobrar nada que o senhor fica se justificando o tempo todo. Só está na presidência da CCJ por minha causa. Agora, não pode fazer jogo. Fica se justificando o tempo todo”. Mais uma vez se referia ao PL da Capelinha
Quem cala consente?
Sempre ácido em suas manifestações e cheio de querer apontar o dedo para adversários, curiosamente, Sandes não contraditou Martello sobre a afirmação de que está ali porque o presidente quis. Também não deixou claro que interesses teria na tal APA da Capelinha. Baixou a cabeça e saiu de fininho desta vez.
Não entende nada
Em seguida, querendo mostrar trabalho, Leandro Dourado (Mobiliza) entrou no debate e valorizar os trabalhos das comissões que participa ou preside. Também tomou uma grande invertida de Martello: “O que o Leandro Dourado entende de meio ambiente? Que base tem para dizer que um é melhor que o outro? Que leitura faz? Não entra na conversa de um ou outro, vai ficar com a broxa na mão” . E deixou claro: “Não queira criar problemas. A base vai aprovar”. De novo, sem qualquer réplica.
A palavra do líder
Já o líder de Governo, Geraldo Celestino (Mobiliza), também usou a palavra e deixou um recado que a aprovação da APA não está tão certa como preconiza o presidente. Disse que precisa ser melhor debatida. O discurso foi apoiado por parlamentares, que não têm quase expressão no debate, como Gutemberg Tavares (PDT), que adora pegar caronas em temas polêmicos como forma de se valorizar. “Não precisa fazer nada correndo”. De novo, Martello foi para cima.
Sem engolir
Outro que contrariou Martello foi Geleia, que defendeu, assim como Edmilson Souza, a realização de uma audiência pública antes de qualquer votação na Casa. “Sou leal a base. Mas não vou engolir esse projeto do jeito que está. Não está legal”. E foi além. “Se a Comissão do Meio Ambiente aprovar e der parecer favorável, melhor acabar com ela. Não tem cabimento”. Segundo ele, quem é a favor da natureza não pode compactuar com esse projeto. Acham que Martello aceitou os argumentos? Novamente ataques aos contrários.
Só na pipoca

O ex-vereador e atual suplente do Republicanos Sérgio Magnum assiste de camarote o embate público patrocinado pelo cacique de seu partido, o deputado estadual Jorge Wilson, que entrou na Justiça para cassar o mandato do vereador Delegado Mesquita, o mais votado da cidade com 18.841 votos, mas que deixou o partido e migrou para o PP. Pela infidelidade partidária, necessária para conseguir legenda para concorrer à Assembleia Legislativa, deverá perder o mandato. E quem assume? Magnum, que ficou como suplente com seus 6.134, ou seja, um terço do titular.
Colegas, mas nem tanto

Impressionante como antes companheiros de partido agora viram as costas para o Delegado Mesquita. Discursos de vereadores do Republicanos, como Danilo Gomes, que apoia a cassação, assim como o presidente da Casa, Martello. Ambos usaram a palavra para dizer que “regras são regras”. Ou seja, como o vereador mais votado saiu de seu partido, não há outro destino que não seja a perda do mandato.
Ponto para a base
A previsível queda do Delegado Mesquita deve engrossar a base do Governo. Apesar de votar muitas vezes junto com o prefeito Lucas Sanches, o vereador se vende como independente, o que lhe permite fazer críticas à administração municipal, algo que se tornou mais comum neste segundo ano de mandato. Sua saída permitirá a entrada de um parlamentar bem mais fácil de carregar junto. Não à toa, tem muita gente comemorando a ação do Xerife.


