O consumo das famílias brasileiras em supermercados registrou crescimento de 1,92% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O índice considera os dados já descontados da inflação oficial medida pelo IPCA.
O resultado reforça a recuperação do setor e mostra que os consumidores ampliaram as compras nos três primeiros meses do ano, mesmo diante de pressões nos preços de alguns alimentos.
Março teve avanço mais forte
Somente em março, o consumo subiu 6,21% em relação a fevereiro e avançou 3,20% na comparação com março de 2025.
De acordo com a Abras, o desempenho foi influenciado principalmente por dois fatores:
- antecipação de compras para a Páscoa, realizada no início de abril;
- fevereiro com menos dias úteis no calendário.
Transferência de renda ajudou a movimentar o varejo
Outro fator importante para o crescimento foi a entrada de recursos na economia.
Em março:
- o Bolsa Família beneficiou 18,73 milhões de famílias, com repasse de R$ 12,77 bilhões;
- o pagamento do PIS/PASEP adicionou cerca de R$ 2,5 bilhões.
Com mais dinheiro circulando, o setor supermercadista sentiu aumento no fluxo de consumidores e maior poder de compra das famílias.
Cesta de compras ficou mais cara
O indicador Abrasmercado, que acompanha 35 produtos de consumo frequente, mostrou alta de 2,20% em março.
Com isso, o valor médio da cesta passou de:
- R$ 802,88 em fevereiro
- para R$ 820,54 em março
Produtos que mais subiram
Entre os principais aumentos no mês, destaque para:
- tomate: +20,31%
- cebola: +17,25%
- batata: +12,17%
- feijão: +15,40%
- leite longa vida: +11,74%
- ovos: +6,65%
Itens que ficaram mais baratos
Alguns produtos apresentaram queda de preços:
- açúcar refinado: -2,98%
- café torrado e moído: -1,28%
- óleo de soja: -0,70%
- arroz: -0,30%
- farinha de trigo: -0,24%
Nordeste liderou alta regional
Entre as regiões brasileiras, o Nordeste teve a maior elevação no custo da cesta de compras em março, com avanço de 2,49%, seguido por:
- Sudeste: +2,20%
- Sul: +1,92%
- Centro-Oeste: +1,83%
- Norte: +1,82%
Expectativa positiva para o segundo trimestre
A Abras avalia que o consumo pode continuar aquecido nos próximos meses com:
- antecipação do 13º salário de aposentados do INSS;
- restituições do Imposto de Renda;
- manutenção de programas sociais.
Apesar disso, a entidade alerta para riscos de aumento nos alimentos por conta de frete, clima e custos internacionais.



