Dói na alma quando ouço a expressão de que o ano finalmente vai começar, já que acabou o Carnaval. Na verdade, sempre fui meio avesso a datas comemorativas, como se tudo pudesse mudar de um momento para o outro de forma mágica. Porém, as convenções sociais falam mais alto e nos rendemos a esses marcos “históricos”. Mas como posso aceitar que o ano vai começar agora se já caminhamos para o final do primeiro trimestre de 2011? Sim, já tivemos janeiro e fevereiro cheio de fatos marcantes não só no Brasil como no mundo. A ditadura caiu no Egito. Kadafi, o amigo de Chavez e de Lula, mata aos montes para permanecer soberano na Líbia. Cerca de um milhar de pessoas se foram em decorrência da tragédia que se abateu na região serrana do Rio de Janeiro. Os nobres deputados e senadores aprovaram um salário mínimo mais mínimo possível. A primeira mulher presidente da República no país assumiu o poder. Guarulhos já tem o Bilhete Único (tudo bem que grande decepção para o povo, mas foi implantado). A Câmara Municipal conta com seu novo trem de alegria pronto para ir para os trilhos. Um monte de contratos da gestão anterior entrou no escaninho da suspeição, para novos serem redigidos em caráter emergencial. E essa buraqueira toda por nossas ruas são deste ano ou do outro? Foi no ano passado que teve aquela Operação Asfalto nas principais vias da cidade, consumindo os tubos dos cofres públicos. Então, que o novo ano comece logo, porque nestes últimos primeiros meses de 2011 só vi os buracos crescerem. Quem sabe vão jogar mais uns R$ 67 milhões nos buracos, já que ninguém sabe, ninguém vê. Mistério público. Como que vão falar que o ano só começa agora se o meu Corinthians já está fora da Libertadores da América de 2011? Aquele desastre chamado Tolima faz parte do passado? Já que o assunto é esporte, o Flamenguinho também cansou de perder na terceirona e estava até o início dos festejos de Momo na zona de rebaixamento, a caminho da quarta divisão. Quem sabe, agora que o ano começou, o futebol volte para os lados do Jardim Tranquilidade, não? Apesar de eu não aceitar, mesmo assim peço encarecidamente – àqueles que acreditam que é assim mesmo – que comecem a trabalhar imediatamente. Eu já levantei a minha da cadeira faz tempo. Ernesto Zanon Jornalista, diretor de Redação do Grupo Mídia Guarulhos, escreve na edição de sábado e domingo. Twitter: @Zanonjr
Não me digam que o ano começa só agora
12 de março de 2011 00:00
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