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Opinião

Nunca antes na história de Guarulhos

Por volta das 16h40 desta terça-feira, 6 de outubro, cerca de 10 mil servidores públicos municipais de Guarulhos levantaram as mãos para os céus no meio da praça Getúlio Vargas. Com esse gesto, eles decretaram o fim de uma greve que não durou nem 48 horas. Mas que fez um estrago danado. Acertou em cheio uma administração municipal que, até às 20h30 da noite anterior, em momento algum se propôs a conversar com a categoria para saber o que seria melhor para ela na implantação do tal Regime Jurídico Único. 
 
Sem entrar no mérito das questões que envolvem o tal RJU, fica a sensação de vitória acachapante de um lado – o dos servidores – e de uma derrota avassaladora para o outro – o do prefeito Sebastião Almeida (PT). Foi muito mais que os 7 a 1 impostos pela Alemanha sobre o Brasil ano passado no país da Copa do Mundo. Foi a sensação de uma lavada histórica sobre um governo, que não dá ouvidos para seu povo e muito menos para aqueles que ajudam a manter esta cidade em pé. 
 
Todo o processo que envolveu o RJU foi construído apenas por um lado. Até mesmo nos momentos que deveriam ser de diálogo, a administração não acionou seus ouvidos. Voltar atrás, na maioria dos casos, é sinal de nobreza. No caso de Almeida, não. Foi a única saída. Não tinha para onde correr. Mesmo diante da grande mobilização que os servidores construíam, na quinta-feira passada o chefe do Executivo ordenou para sua bancada de vereadores, que dominam a Câmara, que o projeto fosse deliberado a qualquer custo. O funcionalismo foi em massa e não permitiu. A greve estava deflagrada. 
 
Na ânsia de querer minimizar, Almeida usou de artimanhas nada recomendáveis, como ameaças de corte do ponto, de buscar a ilegalidade do movimento na véspera, por meio de uma liminar, de distribuição de panfletos que tentavam iludir os servidores, entre outras ações que até seriam aceitáveis se não partissem de um homem que – 18 anos atrás – subiu no caminhão de som para conclamar esse mesmo funcionalismo contra o prefeito da época, Néfi Tales. Ele era nada menos que o presidente do Sindicato. Deveria saber o que o outro lado sentia na pele. 
 
Com a deflagração da greve, Almeida colecionou derrotas e mais derrotas. Desde a adesão maciça até mesmo em secretarias que ele acreditava ter o controle absoluto. Mas nada como aquele mar de gente tomando conta da avenida Paulo Faccini, encerrando a tarde de segunda-feira, sem qualquer incidente. Tudo de forma pacífica. À noite, diante de uma base governista de farol baixo, sem ter o que dizer, o recuo nada nobre. 
 
Por tudo isso, as mãos aos céus dos servidores públicos municipais de Guarulhos carrega um simbolismo que ficará marcado na história recente de Guarulhos. Que fiquem lições para os dois lados. Que fique evidente que nenhum poder se faz sem a participação de quem mais interessa: as pessoas. Talvez, depois desta, nunca mais na história desta cidade se pense com tanta pequenez. 
 
 
Ernesto Zanon é jornalista e editor do portal GuarulhosWeb

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