Ernesto Zanon – @ernesto_zanon
O Honda CR-V Advanced Hybrid continua sendo um daqueles carros que impressionam logo nos primeiros quilômetros. Grande, silencioso, confortável, muito bem equipado e com um sistema híbrido que consegue entregar uma experiência quase elétrica sem que o motorista precise pensar em tomada, carregador ou autonomia da bateria.

Mas estamos diante de um daqueles casos em que o carro mudou menos do que o mercado ao seu redor. Quando avaliamos essa atualização do CR-V pela primeira vez, a Honda ainda enfrentava uma concorrência chinesa bem menos numerosa no Brasil. Hoje, a realidade é outra. BYD, GWM, Jaecoo, Caoa Chery, Geely e outras marcas passaram a disputar justamente o espaço dos SUVs eletrificados, muitas vezes oferecendo sistemas híbridos plug-in, potência elevada, grandes telas, equipamentos de conforto e preços bem abaixo dos R$ 353.500 cobrados pelo Honda.

E é justamente por isso que resolvemos colocar o CR-V novamente à prov, já que há também uma mudança dentro de casa. A Honda voltou a oferecer o WR-V, completando uma linha de quatro SUVs no mercado brasileiro: WR-V, HR-V, ZR-V e CR-V.

O WR-V ocupa a porta de entrada da família, enquanto o HR-V fica em uma faixa intermediária, o ZR-V sobe para o segmento dos SUVs médios e o CR-V assume a posição de maior e mais sofisticado utilitário esportivo da marca.
Hoje, os preços iniciais divulgados pela Honda mostram uma variação entre R$ 149 mil (WR-V) até os mais de R$ 350 mil do CR-V, com HR-V (a partir de R$ 166,4 mil) e ZR-V (na casa dos R$ 215 mil). Ou seja, o CR-V não é apenas o maior. É outro patamar de preço dentro da família. E é justamente aí que começa a discussão.

Sem tomada
A principal virtude conceitual do CR-V está no sistema e:HEV da Honda, um híbrido convencional, não um plug-in. Isso significa que você não precisa instalar carregador em casa ou recorrer a pontos de recarga rápida.

A bateria é recarregada pelo próprio sistema, utilizando a regeneração nas desacelerações e a energia produzida pelo motor a combustão. O sistema trabalha com três possibilidades: condução elétrica, híbrida e combustão, alternando automaticamente entre elas.
Na prática, o motorista entra no carro, liga e dirige. Não há cabo. Não há tomada. Não há necessidade de planejar a viagem em função de eletropostos. E isso continua sendo uma vantagem importante. Principalmente para quem mora em apartamento ou não possui uma vaga preparada para recarga. Se bem que recorrer a eletropostos, cada vez mais presentes e rápidos, não seja mais um problemão.
Aqui está a parte mais interessante desta segunda avaliação. O sistema continua fazendo sentido. Mas o argumento deixou de ser tão óbvio. Os híbridos plug-in chineses trouxeram uma alternativa intermediária muito interessante: o proprietário pode rodar diariamente usando a energia da bateria e, em viagens, recorrer ao motor a combustão.
O Haval H6, por exemplo, atualmente oferece versões PHEV com preços entre R$ 250 mil e R$ 290 mil, enquanto o H6 GT chega a R$ 326 mil. E a diferença não fica apenas no preço. Há também potência. Enquanto o CR-V entrega 207 cv de potência combinada, seu sistema foi claramente calibrado para privilegiar suavidade e eficiência, não acelerações violentas. É uma filosofia diferente.

Economia
E aqui a Honda ainda tem um argumento muito forte. Segundo o Inmetro, o CR-V chega a 14,1 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada. Na nossa experiência anterior, conseguimos chegar perto dos 15 km/l, especialmente em condições favoráveis de utilização.
Para um SUV grande, com tração integral, quase 1,8 tonelada e espaço interno generoso, é um resultado bastante interessante. Mas há uma particularidade importante: a vantagem aparece principalmente no uso urbano. Na estrada, quando o motor a combustão passa a trabalhar mais frequentemente, o consumo deixa de ser tão impressionante. Isso não tira o mérito do sistema. Apenas mostra que o CR-V é um híbrido pensado para trabalhar de maneira diferente de um plug-in.

Vale também frisar que o CR-V não é um SUV esportivo. São 207 cv combinados, mas o comportamento é progressivo. A entrega de força elétrica proporciona respostas rápidas nas saídas, mas o carro não tem aquela característica de alguns híbridos chineses que entregam centenas de cavalos e aceleram como esportivos.
Na estrada, quando há uma retomada mais forte, o motor 2.0 pode subir de giro e transmitir mais ruído para a cabine. É o preço da filosofia escolhida pela Honda. O CR-V prefere ser eficiente, silencioso e confortável a ser explosivo.
Espaço

Aqui o Honda ainda é muito convincente. São 581 litros de porta-malas, amplo espaço para os passageiros traseiros e uma cabine que realmente transmite sensação de SUV grande. Teto solar panorâmico, bancos dianteiros elétricos, Head-Up Display, sistema de som Bose, Honda Sensing e uma extensa lista de equipamentos de segurança completam o pacote. A tração integral também faz parte da configuração. É um carro claramente pensado para uma família que viaja.

Vale frisar que quem compra um Honda desse porte não está olhando somente para potência, tela ou número de equipamentos. Existe uma expectativa de confiabilidade mecânica, rede de assistência, facilidade de manutenção e histórico da marca.

E isso continua sendo um diferencial percebido pelo consumidor. Agora, é importante não transformar essa percepção em promessa absoluta: confiabilidade futura não pode ser garantida simplesmente pelo logotipo no capô. O que existe é um histórico consolidado da Honda no mercado brasileiro e uma rede de assistência que já conhece a tecnologia híbrida da marca. Além disso, os Honda fabricados a partir de 2026 passaram a ter seis anos de garantia total de fábrica, segundo a própria Honda.

