Carro GWeb TV

AVALIAÇÃO – RAM Dakota Laramie aposta em luxo, tecnologia e força da marca

Após tornar a Rampage desejo de consumo dos picapeiros de primeira viagem a RAM volta ao segmento de picapes médias no Brasil apostando em um nome conhecido do consumidor.

 

Ernesto Zanon – @ernesto_zanon

A Dakota retorna ao mercado nacional, agora sob a bandeira da RAM, trazendo um posicionamento premium, amplo pacote tecnológico e preço na casa dos R$ 310 mil na versão Laramie. A missão é clara: disputar clientes de modelos como Toyota Hilux SRX Plus, Ford Ranger Limited, Chevrolet S10 High Country e Volkswagen Amarok Extreme.

Para muitos brasileiros, o nome Dakota desperta lembranças imediatas da picape vendida pela Dodge entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000. Embora compartilhe apenas o nome, a nova geração representa um conceito completamente diferente. Agora, a Dakota nasce em um contexto global da Stellantis, com foco em conforto, tecnologia e refinamento.

A Dodge ficou para trás. A RAM Dakota utiliza a plataforma da Fiat Titano, que, por sua vez, tem origem no projeto da Peugeot Landtrek. Essa estratégia de compartilhamento de arquitetura é comum entre grandes grupos automotivos e permite reduzir custos de desenvolvimento sem abrir mão da identidade de cada marca.

Na prática, porém, a RAM buscou distanciar a Dakota da “prima” italiana. O modelo recebeu ajustes próprios de suspensão, direção, isolamento acústico, calibração eletrônica e acabamento interno, além de um pacote de equipamentos mais completo e sofisticado. É outro carro tanto na aparência, como no preço. O resultado é uma picape que compartilha a base estrutural, mas entrega uma experiência mais alinhada ao posicionamento premium da RAM.

O peso da marca
Talvez o maior diferencial da Dakota não esteja debaixo da carroceria. Nos últimos anos, a RAM construiu uma imagem extremamente positiva no Brasil. As picapes da marca passaram a ser associadas a luxo, robustez, alto valor agregado e excelente nível de acabamento. É justamente essa reputação que a Dakota pretende aproveitar. Durante a avaliação, isso foi perceptível tanto na condução do veículo como na forma que as pessoas olham para o modelo.

A Fiat Titano ainda busca consolidar espaço entre as médias. Já a Dakota chega amparada por uma marca que desfruta de elevada aceitação entre consumidores dispostos a investir acima dos R$ 300 mil em uma picape. Esse fator pode ser decisivo para seu desempenho comercial.
Visual transmite personalidade

Mesmo compartilhando a plataforma, a Dakota possui identidade própria. A dianteira segue o padrão das demais Ram, com grade imponente, iluminação Full LED e linhas que reforçam a sensação de robustez. Na traseira, o conjunto óptico em LED e o acabamento mais refinado deixam claro que a proposta vai além do trabalho pesado.

É dentro da cabine que aparecem as maiores diferenças em relação às demais picapes médias. A versão Laramie, a top da família, aposta em bancos revestidos em couro, painel digital, central multimídia de grandes dimensões, materiais de toque macio e excelente nível de acabamento. A sensação é muito mais próxima da encontrada em SUVs de luxo do que em utilitários tradicionalmente voltados ao trabalho.

Motor


Sob o capô está o novo motor 2.2 turbodiesel Multijet, que desenvolve cerca de 200 cv e 450 Nm de torque, sempre associado ao câmbio automático de oito marchas e à tração 4×4 com reduzida. É o mesmo da Titano atual.

Os números não impressionam quando comparados a algumas concorrentes mais potentes, mas o conjunto privilegia suavidade, eficiência e consumo, características valorizadas por quem utiliza a picape diariamente. É uma delícia conduzi-la tanto na cidade como na estrada. Não passa a ideia de uma grandalhona fora de seu habitat quando desfila pelas ruas. Já em rodovia, destaca-se a força e respostas rápidas, além da suavidade.

Tecnologia embarcada

A Dakota chega equipada com um pacote bastante completo de assistências à condução. Entre os principais recursos estão piloto automático adaptativo; frenagem autônoma de emergência; assistente de permanência em faixa; monitoramento de ponto cego; alerta de tráfego cruzado; câmeras 360°; sensores de estacionamento; carregador de celular por indução; Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

Por aproximadamente R$ 310 mil, a versão Laramie entra em uma faixa de mercado ocupada por concorrentes extremamente consolidadas, como Toyota Hilux, Ford Ranger e Chevrolet S10, todas com forte tradição no segmento. E acima da irmã de criação, a Titano.

Desta forma, a RAM aposta justamente na força da marca para conquistar consumidores que buscam algo diferente. A estratégia é oferecer uma picape com comportamento mais refinado, acabamento superior e imagem premium, sem abrir mão da robustez exigida por esse tipo de veículo. Pelas primeiras impressões, tem tudo para dar certo.