Jurídico

STJ retoma julgamento sobre permanência de imigrantes ilegais no Aeroporto de Guarulhos

STJ decide hoje sobre permanência de imigrantes irregulares no Aeroporto de Guarulhos (Foto-Reprodução)
STJ decide hoje sobre permanência de imigrantes irregulares no Aeroporto de Guarulhos (Foto-Reprodução)
STJ retoma julgamento sobre permanência de imigrantes ilegais no Aeroporto de Guarulhos e possibilidade de pedidos de refúgio no Brasil

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) retoma nesta quarta-feira (6) o julgamento que discute a permanência de migrantes e imigrantes ilegais retidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos e a possibilidade de realização de pedidos de refúgio no Brasil.

O caso é analisado pela Corte Especial do tribunal, composta pelos 15 ministros mais antigos da Corte, após recurso apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Defensoria Pública da União (DPU) contra decisão do presidente do STJ e relator do processo, ministro Herman Benjamin.

Em dezembro de 2024, Benjamin autorizou a deportação dos estrangeiros retidos no aeroporto, suspendendo uma liminar do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que havia proibido a Polícia Federal de deportar os imigrantes.

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O ministro também determinou que novas decisões judiciais não autorizassem, de forma indiscriminada, a entrada de estrangeiros que solicitassem asilo no país. O entendimento foi mantido durante sessão realizada em novembro de 2025, quando os ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi e João Otávio de Noronha acompanharam o voto do relator.

Segundo Herman Benjamin, dados da Polícia Federal indicam que o Brasil vinha sendo utilizado como rota de trânsito para imigração ilegal rumo a outros países. O ministro citou informações do Ministério da Justiça que apontam o crescimento dos pedidos de refúgio, passando de 69 solicitações em 2013 para mais de 9 mil em 2024.

Ainda conforme o voto, apenas uma pequena parcela dos solicitantes regularizou efetivamente a permanência no Brasil, o que reforçaria a tese de utilização do território nacional como passagem para outros destinos.

Benjamin também argumentou que a permanência indiscriminada de imigrantes no aeroporto poderia agravar problemas sanitários, de segurança e superlotação no terminal. Apesar disso, o ministro defendeu que casos individuais possam ser analisados pela Justiça, especialmente quando houver vínculo familiar ou intenção comprovada de permanência no país.

Em posição divergente, o ministro Og Fernandes votou contra a suspensão da liminar do TRF-3. Para ele, os dados estatísticos não seriam suficientes para presumir fraude em todos os pedidos de refúgio.

O magistrado afirmou que impedir automaticamente a entrada dos estrangeiros poderia representar violação a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em relação ao acolhimento humanitário e à proteção de refugiados.

O julgamento havia sido interrompido após pedido de vista do ministro Benedito Gonçalves e será retomado com a apresentação de seu voto. Ainda faltam se manifestar os ministros Humberto Martins, Isabel Gallotti, Maria Thereza de Assis Moura, Mauro Campbell e Raúl Araújo.

Dados divulgados pela Polícia Federal apontam que os pedidos de refúgio caíram 94% entre 2024 e 2025, passando de 7.610 para 458 solicitações.

Especialistas avaliam que as medidas adotadas recentemente pelo Brasil refletem um endurecimento no controle migratório, principalmente após episódios envolvendo imigrantes afegãos retidos no país e críticas relacionadas à gestão humanitária dos casos.