Cidades

Violência Contra a Mulher – Independência financeira ajuda mulheres

Desconforto em casa e isolamento social costumam ser indícios do problema

Muitas mulheres suportam agressões físicas dos maridos por medo de não conseguirem se manter ou criar os filhos sozinhas. Para especialistas, a independência financeira e a colaboração de familiares contribuem para que elas tenham coragem de se afastarem dos agressores para sair da situação de violência.

De acordo com a sócio-fundadora do Centro de Integração da Mulher (CIM), Silvia Moraes, companheiros que impedem as mulheres de trabalhar ou estudar possuem um pensamento machista que pode ocasionar em agressões no futuro. Para ela, a dupla jornada de trabalho também é prejudicial. "É preocupante quando o homem chega em casa e não faz nada, enquanto a mulher trabalha o dia inteiro, tem que cuidar da casa e dos filhos e no fim da noite ainda precisa satisfazer sexualmente o parceiro", afirma.

Por outro lado, o professor de psicologia da Universidade de Guarulhos (UNG), José Candido Cheque, diz que homens podem aumentar a agressividade contra as mulheres por fatores externos, como stress e ansiedade vivenciados nos ambientes de trabalho. "Quando inicia uma situação de violência, um dos caminhos é tentar convencer o marido para fazer uma terapia de casal", conta.

Isolamento facilita violência

Isolamento do convívio social é uma das atitudes machistas nos relacionamentos que podem contribuir para futuros comportamentos violentos, segundo a presidente da Associação Brasileira de Defesa da Mulher (Asbrad), Dalila Figueiredo. "São várias formas de agressão, como quebrar coisas, forçar relações sexuais, não deixar a mulher trabalhar e ofender a moral", diz. Para a sócio-fundadora do Centro de Integração da Mulher (CIM), Silvia Moraes, homens com tendência à violência podem tomar atitudes para forçar as mulheres a se sentirem dependentes. "Começa com sutileza e pode terminar em morte. Privar mulheres de amizades, de visitar a família dela dá uma maior segurança ao homem. A mulher não pode ceder", diz.

O professor de psicologia da Ung, José Candido Cheque, diz que mulheres com baixa estima tendem a chamar, sem sucesso, a atenção dos maridos. "Se o homem toma 95% do tempo para falar coisas negativas e 5% positivas, as mulheres devem valorizar com eles o que acontece de positivo e esse tempo pode aumentar".

Leia o que já publicamos no Especial Violência Contra a Mulher aqui

Como identificar a violência doméstica

1 Ser humilhada, ofendida por palavras e atitudes (exemplos: "Você é feia", "Você não passa de lixo", "Você não presta" e "Você fede");
2 Ser espancada ou obrigada a ter relação sexuais;
3 Ser ameaçada de morte;
4 Ter medo de ficar na própria casa;
5 Sentir vergonha desta situação e se afastar da família e dos amigos

Fonte: Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad)

O que fazer em caso de violência doméstica

1 Chamar a polícia, ligar para o 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou ir a alguma delegacia, de preferência a Delegacia da Mulher (rua Mena, 497, Jardim Santa Mena);
2 Registrar boletim de ocorrência;
3 Fazer exame de corpo de delito;
4 Processar o agressor imediatamente ou no prazo de até seis meses do registro da ocorrência;
5. Procurar assistência jurídica na Asbrad (2409 9518) ou na Casa das Rosas, Margaridas e Beths (2441-0019);

Fonte: Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad) e Centro de Integração da Mulher (CIM)