Polícia

Operação investiga infiltração no Ministério Público e plano para matar promotor

Operação revela que um investigador da polícia e um estagiário ajudavam criminosos com vazamento de dados e extorsão.

Uma megaoperação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e as forças de segurança estaduais foi deflagrada na manhã desta terça-feira, dia 9 de junho. Batizada de “Operação Infiltrados”, a ação investiga o envolvimento de agentes públicos — incluindo um policial civil e um estudante de direito — no vazamento de dados sigilosos, práticas de extorsões e no plano de execução contra a vida de um promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A Justiça expediu dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária para serem cumpridos nas cidades de Campinas e Cardoso. A ação conta com o apoio das Corregedorias das polícias e de equipes da Polícia Militar.

Conluio de policial e descoberta de encontros gravados

Esta nova fase é um desdobramento da “Operação Pronta Resposta”, realizada em agosto de 2025, que impediu o assassinato do promotor. Na época, o Ministério Público descobriu que, uma semana antes da operação acontecer, o homem contratado para matar o promotor se reuniu secretamente com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.

Vídeos em posse do Ministério Público registraram o encontro às vésperas da ação policial. A suspeita é de que o investigador tenha repassado informações privilegiadas e dados sensíveis de inteligência ao criminoso, colocando em risco a vida do promotor e a segurança das equipes de campo.

Estagiário infiltrado no MP usava sistema para extorquir criminosos

A investigação revelou uma ousada tática de infiltração na própria estrutura do Ministério Público. Cruzando dados com a “Operação Off White”, o Gaeco identificou que lideranças da facção criminosa estavam sendo vítimas de uma forte extorsão financeira baseada em relatórios secretos.

Quem comandava esse esquema era um estagiário do Ministério Público. Ele tinha conseguido a vaga de propósito em uma Promotoria Criminal de Campinas para ter acesso aos computadores e sistemas internos da Justiça. Com esses dados, o estudante descobria criminosos que tinham muito dinheiro e cobrava valores altos para não dar andamento nas investigações contra eles.

Para fazer as cobranças e ameaças, o estagiário tinha a ajuda de:

  • Policial Penal: Responsável pelo trâmite de informações e facilitação de contatos.

  • Ex-policial Civil: Agente que já havia sido expulso da corporação anos atrás, justamente pelo crime de extorsão mediante sequestro.

  • Escritório de Advocacia: A estrutura tecnológica e a rede de internet do local eram utilizadas para mascarar a origem das comunicações criminosas enviadas aos alvos.

O inquérito do Gaeco segue em andamento para avaliar a amplitude dos vazamentos de dados do sistema judiciário e rastrear os valores obtidos pela organização criminosa por meio das chantagens institucionais.