Cidades

Vida curta para os sacos plásticos

A discussão sobre a necessidade de as pessoas se preocuparem com a preservação ambiental tem espaço cativo na mídia


E ganhou enorme importância nos mais diversos setores da sociedade, principalmente depois da publicação dos alarmantes relatórios apresentados por organismos internacionais. Essa documentação apenas confirmou o que muita gente já suspeitava. Ou fazemos algo para frear os impactos do aquecimento global sobre o planeta, ou vamos assistir a uma catástrofe de dimensões inigualáveis. Embora as cobranças recaiam sobre os governos de todo o mundo, a maior parte do estrago poderia ser evitada se as pessoas começassem a mudar alguns hábitos e definitivamente adotassem uma postura mais responsável.


Infelizmente, nem sempre é possível contar com a população como aliada. E aí entra a responsabilidade dos entes públicos, que são cada vez mais obrigados a encontrar saídas para uma série de problemas que poderiam ter seu impacto pelo menos amenizado. Recentemente, a Assembléia Legislativa de São Paulo deu um passo importante nessa direção. Em apenas duas semanas, os deputados aprovaram um projeto de lei que exige a troca dos sacos de plástico-filme por saquinhos produzidos com material oxibiodegradável, que em questão de meses desaparece por completo do ambiente. Mas, calma: a lei só entra em vigor se for sancionado pelo governador.


A repercussão em torno da legislação vem sendo bastante positiva, já que a maioria das pessoas sabe dos transtornos causados pelos saquinhos que trazem do supermercado e que acaba servindo como depósito para o lixo produzido em casa. Todo esse material termina em aterros sanitários ou lixões a céu aberto, levando até 300 anos para se decompor no meio ambiente.


Pelo projeto aprovado na Assembléia Legislativa, poderia se adotar uma tecnologia para permitir a decomposição do material em um prazo de 60 a 90 dias, dependendo da exposição do plástico ao solo, água e sol. Sem contar que as toneladas de plástico decomposto permitiriam refazer os cálculos da vida útil de aterros sanitários do país.


Outra vantagem é que não é necessário alterar o método de produção do plástico oxibiodegradável. O sistema para a fabricação é o mesmo: maquinário, mão-de-obra, instalações industriais. A única alteração no processo é a inclusão de um aditivo que acelera a decomposição do material. O produto foi reconhecido por institutos de pesquisa internacional e vem sendo utilizado em mais de 40 países, tendo grande aceitação em grandes redes da Inglaterra, Portugal e França. No Brasil, porém, essa movimentação ainda é tímida e sofre resistência de alguns setores.


Alguns empresários se queixam do fato de o produto ser até 10% mais caro que o plástico-filme. Ou seja, acham que não compensa pagar mais caro por um produto, mesmo com impacto benéfico ao planeta onde vivem. Outra reclamação gira em torno do aditivo que transforma o plástico em produto oxibiodegradável. Segundo os críticos, o produto pode ser nocivo ao ambiente porque possui parcela de petróleo em sua composição. Esquecem, porém, que o plástico comum é feito basicamente desse minério, que no final se decompõe em moléculas de carbono e hidrogênio no solo. O aditivo apenas acelera esse processo, o que já é muito importante, é o X da questão.


Há também os mais radicais. Esses alegam que o correto mesmo seria não utilizar sacos plásticos para forrar lixeiras, o que poderia ser atingido com campanhas educativas promovidas pelo Poder Público. Eu gostaria ver esse tipo de comportamento. Mas acho que ainda não estamos preparados para trocar a comodidade oferecida pelos saquinhos que trazemos do supermercado pelo hábito de lavar lixeiras. Isso vai levar algum tempo para se tornar realidade.


Diante desse cenário, acredito que os plásticos oxibiodegradáveis serviriam como uma ótima opção para começarmos a limpar uma parte da sujeira que produzimos. Os parlamentares fizeram sua parte e cabe ao governador manifestar seu posicionamento em torno da questão. O debate é mais amplo do que se imagina. Com veto ou não do Poder Executivo, essa questão começará a ser cada vez mais discutida pela sociedade civil e também pelos representantes de nossa Justiça. Nesse momento, todos têm responsabilidade nesse processo, independentemente de filiação partidária, raça, sexo, ou condição social. O futuro está em nossas mãos.


* Sebastião Almeida é deputado estadual pelo PT, coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água e presidente da comissão de Serviços e Obras Públicas da Assembléia Legislativa de São Paulo. E-mail: [email protected]

Posso ajudar?